Dilma Rousseff e Barack Obama vão assinar um tratado de cooperação econômica e comercial durante a visita do presidente americano ao Brasil, no próximo mês de março, informa Patrícia Campos Mello.
O acordo criará mecanismos contra obstáculos que dificultam os
negócios entre os dois países.
Wednesday, February 16, 2011
Saturday, February 12, 2011
BRASIL IMPORTA INFLACION
PAÍS - Medidas para deter o real forte fizeram o País importar inflação As medidas do governo para conter a valorização do real adicionaram mais lenha na fogueira da inflação. O real forte atuava como um amortecedor interno do aumento dos preços das matérias-primas no exterior.
Agora, a contaminação se tornou direta e já acendeu um sinal de alerta no Banco Central (BC) e no mercado. Em economês, se diz que o País perdeu, momentaneamente, a chamada "âncora cambial".
"Desde que o ministro da Fazenda [Guido Mantega] falou em guerra cambial [em outubro do ano passado], vemos uma clara inconsistência entre a política monetária e a política cambial no País", afirmou o economista-chefe do banco Santander, Alexandre Schwartsman. "A monetária tem como objetivo baixar a inflação, mas a cambial pressiona a inflação para cima."
Durante todo o governo Lula, a valorização do real sempre contrabalançou os momentos de alta das commodities. Entre julho de 2010 a janeiro de 2011, por exemplo, o índice CRB (Commodities Research Bureau) subiu 26% em dólar e 19% em real. "O câmbio compensou a alta das commodities", disse o economista do JPMorgan, Júlio Callegari.
Graças às intervenções do governo brasileiro no mercado cambial, que se intensificaram a partir de outubro, com o aumento da alíquota de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), o real praticamente estabilizou. Valia R$ 1,679 em 1º de outubro e R$ 1,674 em 31 de janeiro.
Outras medidas para conter a apreciação do câmbio incluem compra de reservas e redução das posições vendidas dos bancos em dólar futuro.
Agora, a contaminação se tornou direta e já acendeu um sinal de alerta no Banco Central (BC) e no mercado. Em economês, se diz que o País perdeu, momentaneamente, a chamada "âncora cambial".
"Desde que o ministro da Fazenda [Guido Mantega] falou em guerra cambial [em outubro do ano passado], vemos uma clara inconsistência entre a política monetária e a política cambial no País", afirmou o economista-chefe do banco Santander, Alexandre Schwartsman. "A monetária tem como objetivo baixar a inflação, mas a cambial pressiona a inflação para cima."
Durante todo o governo Lula, a valorização do real sempre contrabalançou os momentos de alta das commodities. Entre julho de 2010 a janeiro de 2011, por exemplo, o índice CRB (Commodities Research Bureau) subiu 26% em dólar e 19% em real. "O câmbio compensou a alta das commodities", disse o economista do JPMorgan, Júlio Callegari.
Graças às intervenções do governo brasileiro no mercado cambial, que se intensificaram a partir de outubro, com o aumento da alíquota de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), o real praticamente estabilizou. Valia R$ 1,679 em 1º de outubro e R$ 1,674 em 31 de janeiro.
Outras medidas para conter a apreciação do câmbio incluem compra de reservas e redução das posições vendidas dos bancos em dólar futuro.
LA CLASE C EN CRECIMIENTO FANTASTICO EN EL GRUPO BRIC
VAREJO - Classe c é a nova força da economia do BRIC / Gleyma Lima
Até 2020, um em cada cinco moradores dos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) estarão na classe C, que responderá por R$ 37 trilhões em consumo nessas regiões, conforme indicadores apontados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Para abocanhar esse filão ascendente, redes como o Walmart, dono da marca TodoDia, estudam como aumentar sua presença com itens para esse perfil. Segundo o professor de Varejo da FGV, Claudio Goldberg, há um novo conceito no mercado varejista chamado "cheapchic", que se trata de um atendimento personalizado munido com produtos de qualidade e preços baixos. "Hoje este público-alvo [classe C] quer a mesma qualidade e os mesmos produtos oferecidos para as classes A e B. Eles estão mais exigentes por terem maior poder de compra ", enfatiza o porta-voz.
No vestuário, lojas como Barred's, Luigi Bertolli e M. Officer também começam a intensificar a oferta de roupas que atendam a esses clientes, além de analisar melhor a parte de crediário.
"A classe C hoje compra mais, mas compra mais lentamente. Compra menos vezes por ano e parcela mais", declara o coordenador-geral do Programa de Administração do Varejo (Provar), Claudio Felisoni
Até 2020, um em cada cinco moradores dos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) estarão na classe C, que responderá por R$ 37 trilhões em consumo nessas regiões, conforme indicadores apontados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Para abocanhar esse filão ascendente, redes como o Walmart, dono da marca TodoDia, estudam como aumentar sua presença com itens para esse perfil. Segundo o professor de Varejo da FGV, Claudio Goldberg, há um novo conceito no mercado varejista chamado "cheapchic", que se trata de um atendimento personalizado munido com produtos de qualidade e preços baixos. "Hoje este público-alvo [classe C] quer a mesma qualidade e os mesmos produtos oferecidos para as classes A e B. Eles estão mais exigentes por terem maior poder de compra ", enfatiza o porta-voz.
No vestuário, lojas como Barred's, Luigi Bertolli e M. Officer também começam a intensificar a oferta de roupas que atendam a esses clientes, além de analisar melhor a parte de crediário.
"A classe C hoje compra mais, mas compra mais lentamente. Compra menos vezes por ano e parcela mais", declara o coordenador-geral do Programa de Administração do Varejo (Provar), Claudio Felisoni
EUA BUSCA NEGOCIOS EN LA COPA Y OLIMPIADAS DE 2016
BRASIL - EUA mostram interesse em investir em Copa e Olimpíada no País
Após reunião durante a manhã desta quinta-feira no Palácio do Itamaraty, em Brasília, autoridades americanas demonstraram interesse em investir em projetos brasileiros para a Copa do Mundo de 2014 e para a Olimpíada de 2016.
De acordo com o secretário assistente para Economia, Energia e Negócios do Departamento de Estado americano, José Fernandez, os Estados Unidos têm vontade de investir em projetos para os dois eventos no Brasil.
"Nós falamos sobre as oportunidades que temos para investir aqui e sobre os planos que o Brasil tem para estádios, estradas, ferrovias, e ficamos muito animados com o que vimos. A reunião de hoje foi apenas informativa, ficamos a par do que está sendo feito, mas agora vamos ver como os EUA podem cooperar", disse ele em entrevista coletiva após a reunião.
De acordo com o subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, Pedro Carneiro, vários assuntos envolvendo infraestrutura e investimentos americanos foram discutidos, mas nada ainda foi acertado. "Falamos também sobre segurança alimentar, inclusão social, transferência de renda, biotecnologia, biocombustíveis. Não posso dizer que houve nenhum tema que não fosse de interesse do Brasil", declarou.
Fernandez também foi apresentado aos dois projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. Ambos os países também discutiram a presença brasileira no Haiti, para tentar estabilizar a situação civil no país, que se agravou ainda mais com o terremoto que o atingiu há mais de um ano.
Mesmo com uma agenda de discussões ampla, não entrou em pauta o assunto mais aguardado - a compra de caças pela Força Aérea Brasileira (FAB). "Somente agora veio à tona, com esta pergunta", afirmou Pedro Carneiro. O secretário de Estado americano viu na pergunta uma oportunidade de marcar terreno e respondeu: "obrigado por perguntar", arrancando risos, inclusive do representante brasileiro.
Há mais de dois anos, o governo brasileiro adia a decisão de comprar 36 caças em um primeiro lote, a serem entregues a partir de 2014. Estão no páreo os caças Rafale, da francesa Dassault; Gripen, da sueca Saab; e F-18 Super Hornet, da americana Boeing. No fim do segundo mandato, o ex-presidente Lula havia deixado clara a sua preferência pelos caças franceses, mas deixou a decisão para a sua sucessora. Dilma Rousseff, por sua vez, já adiou sua decisão para 2012.
Após reunião durante a manhã desta quinta-feira no Palácio do Itamaraty, em Brasília, autoridades americanas demonstraram interesse em investir em projetos brasileiros para a Copa do Mundo de 2014 e para a Olimpíada de 2016.
De acordo com o secretário assistente para Economia, Energia e Negócios do Departamento de Estado americano, José Fernandez, os Estados Unidos têm vontade de investir em projetos para os dois eventos no Brasil.
"Nós falamos sobre as oportunidades que temos para investir aqui e sobre os planos que o Brasil tem para estádios, estradas, ferrovias, e ficamos muito animados com o que vimos. A reunião de hoje foi apenas informativa, ficamos a par do que está sendo feito, mas agora vamos ver como os EUA podem cooperar", disse ele em entrevista coletiva após a reunião.
De acordo com o subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, Pedro Carneiro, vários assuntos envolvendo infraestrutura e investimentos americanos foram discutidos, mas nada ainda foi acertado. "Falamos também sobre segurança alimentar, inclusão social, transferência de renda, biotecnologia, biocombustíveis. Não posso dizer que houve nenhum tema que não fosse de interesse do Brasil", declarou.
Fernandez também foi apresentado aos dois projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. Ambos os países também discutiram a presença brasileira no Haiti, para tentar estabilizar a situação civil no país, que se agravou ainda mais com o terremoto que o atingiu há mais de um ano.
Mesmo com uma agenda de discussões ampla, não entrou em pauta o assunto mais aguardado - a compra de caças pela Força Aérea Brasileira (FAB). "Somente agora veio à tona, com esta pergunta", afirmou Pedro Carneiro. O secretário de Estado americano viu na pergunta uma oportunidade de marcar terreno e respondeu: "obrigado por perguntar", arrancando risos, inclusive do representante brasileiro.
Há mais de dois anos, o governo brasileiro adia a decisão de comprar 36 caças em um primeiro lote, a serem entregues a partir de 2014. Estão no páreo os caças Rafale, da francesa Dassault; Gripen, da sueca Saab; e F-18 Super Hornet, da americana Boeing. No fim do segundo mandato, o ex-presidente Lula havia deixado clara a sua preferência pelos caças franceses, mas deixou a decisão para a sua sucessora. Dilma Rousseff, por sua vez, já adiou sua decisão para 2012.
ARGENTINA SERA EL SEGUNDO MERCADO DE BRASIL PARA 2011
MERCOSUL - Argentina deve passar EUA no ranking dos mercados para produtos brasileiros / Sergio Leo
A Argentina deve superar os Estados Unidos, em breve, como segundo destino para as exportações brasileiras, só atrás da China, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento obtidos pelo Valor.
Em janeiro, as exportações aos argentinos cresceram 35,6%, bem acima da média do aumento nas vendas externas brasileiras, de 28,2%, na comparação com o mesmo mês do ano passado. As exportações para os EUA cresceram apenas 15,4%. As vendas argentinas ao Brasil não seguem o mesmo ritmo, o que tem provocado sucessivos superávits nas contas bilaterais. Em janeiro, o superávit quase quintuplicou em relação ao mesmo mês de 2010.
O governo aponta o fato como demonstração da crescente importância da Argentina para a indústria brasileira, mas o aumento do superávit brasileiro com a Argentina preocupa a presidente do país vizinho, Cristina Kirchner, que abordou o assunto ao receber a presidente Dilma Rousseff, em Buenos Aires, no início do mês.
O comunicado conjunto das duas presidentes chegou a mencionar a intenção de "continuar trabalhando para gerar um maior equilíbrio na balança comercial". O ministro de Relações Exteriores argentino, Héctor Timerman, reconheceu, após a visita, que o governo vizinho quer "resolver" o descompasso comercial.
No dias 17 e 18, haverá a primeira reunião da equipe de Dilma, chefiada pelo ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, para discutir os temas da Comissão de Monitoramento Bilateral de Comércio. O encontro será em Buenos Aires e terá como representante argentina a ministra da Indústria, Débora Giorgi.
O governo brasileiro tem argumentado que há um esforço para aumentar as compras de produtos argentinos, e que o superávit comercial é, em grande parte, compensado pelo aumento dos investimentos brasileiros na produção em solo argentino que, em 2010, chegaram a US$ 5,3 bilhões, levando o Brasil ao primeiro lugar entre os investidores do país.
Uma empresa de laticínios comprada pela Perdigão, Levino Zaccardi, exporta toda a produção de queijo duro ao Brasil. A Alpargatas, a maior produtora de calçados do país, é do grupo Camargo Corrêa, também proprietário da Loma Negra, primeira empresa do setor de cimentos, com 40% do mercado. Quase 50 grandes grupos brasileiros mantêm investimentos pesados no país, como a Votorantim, que anunciou recentemente ampliação de instalações ao custo de US$ 200 milhões. Motivadas também por fábricas instaladas no país vizinho para fornecer ao mercado brasileiro, as importações brasileiras originadas na Argentina cresceram, em janeiro, quase 21%, desempenho semelhante ao da média das importações do Brasil. No caso das exportações brasileiras, o setor automotivo é o líder nas vendas ao mercado argentino, principalmente devido às autopeças, que somaram negócios de US$ 145 milhões em janeiro. As compras brasileiras de autopeças argentinas atingiram, no mesmo período, US$ 51 milhões.
O déficit no comércio de autopeças é uma das principais queixas dos argentinos. As dificuldades encontradas na alfândega por empresas do setor levaram a firma Baterias Moura a instalar, no município argentino de Pilar, uma fábrica ao custo de US$ 30 milhões.
A pauta bilateral a ser discutida por Pimentel e Débora não tem graves divergências, apesar das ameaças do secretário de Comércio argentino, Guillermo Moreno, de levantar barreiras a produtos importados, inclusive brasileiros. A proximidade do período eleitoral no país vizinho, no entanto, cria o risco de que os desequilíbrios no comércio ganhem destaque no debate político local.
O resultado de janeiro eleva, de 8,6% para 9,1%, a participação da Argentina entre os mercados para as exportações brasileiras. Os EUA, que compraram US$ 1,7 bilhão em produtos brasileiros neste mês, representam 10,9%. A China segue aumentando a participação como mercado do Brasil, de 10% do total, em janeiro de 2010, para 11,7%. Mantido o ritmo de crescimento nas vendas a ambos os países, a Argentina poderá superar os EUA ainda neste semestre.
Em 2010, o superávit nas transações comerciais com a Argentina chegou a pouco mais de US$ 4 bilhões, 172% acima do resultado do ano anterior. Neste ano, pode chegar a US$ 5,6 bilhões, segundo previsão de uma das consultorias mais respeitadas no país, a Abeceb.
Nas conversas mantidas em Buenos Aires, durante a visita de Dilma ao país, as equipes dos dois governos procuraram tirar o foco da discussão do comércio bilateral e apontaram unanimemente a concorrência da China como o principal problema competitivo dos exportadores dos dois países. Uma das maneiras de tentar enfrentar o problema é a promoção de missões comerciais conjuntas, em busca de terceiros mercados. A Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex) já discute o assunto com o governo argentino.
Fonte
A Argentina deve superar os Estados Unidos, em breve, como segundo destino para as exportações brasileiras, só atrás da China, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento obtidos pelo Valor.
Em janeiro, as exportações aos argentinos cresceram 35,6%, bem acima da média do aumento nas vendas externas brasileiras, de 28,2%, na comparação com o mesmo mês do ano passado. As exportações para os EUA cresceram apenas 15,4%. As vendas argentinas ao Brasil não seguem o mesmo ritmo, o que tem provocado sucessivos superávits nas contas bilaterais. Em janeiro, o superávit quase quintuplicou em relação ao mesmo mês de 2010.
O governo aponta o fato como demonstração da crescente importância da Argentina para a indústria brasileira, mas o aumento do superávit brasileiro com a Argentina preocupa a presidente do país vizinho, Cristina Kirchner, que abordou o assunto ao receber a presidente Dilma Rousseff, em Buenos Aires, no início do mês.
O comunicado conjunto das duas presidentes chegou a mencionar a intenção de "continuar trabalhando para gerar um maior equilíbrio na balança comercial". O ministro de Relações Exteriores argentino, Héctor Timerman, reconheceu, após a visita, que o governo vizinho quer "resolver" o descompasso comercial.
No dias 17 e 18, haverá a primeira reunião da equipe de Dilma, chefiada pelo ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, para discutir os temas da Comissão de Monitoramento Bilateral de Comércio. O encontro será em Buenos Aires e terá como representante argentina a ministra da Indústria, Débora Giorgi.
O governo brasileiro tem argumentado que há um esforço para aumentar as compras de produtos argentinos, e que o superávit comercial é, em grande parte, compensado pelo aumento dos investimentos brasileiros na produção em solo argentino que, em 2010, chegaram a US$ 5,3 bilhões, levando o Brasil ao primeiro lugar entre os investidores do país.
Uma empresa de laticínios comprada pela Perdigão, Levino Zaccardi, exporta toda a produção de queijo duro ao Brasil. A Alpargatas, a maior produtora de calçados do país, é do grupo Camargo Corrêa, também proprietário da Loma Negra, primeira empresa do setor de cimentos, com 40% do mercado. Quase 50 grandes grupos brasileiros mantêm investimentos pesados no país, como a Votorantim, que anunciou recentemente ampliação de instalações ao custo de US$ 200 milhões. Motivadas também por fábricas instaladas no país vizinho para fornecer ao mercado brasileiro, as importações brasileiras originadas na Argentina cresceram, em janeiro, quase 21%, desempenho semelhante ao da média das importações do Brasil. No caso das exportações brasileiras, o setor automotivo é o líder nas vendas ao mercado argentino, principalmente devido às autopeças, que somaram negócios de US$ 145 milhões em janeiro. As compras brasileiras de autopeças argentinas atingiram, no mesmo período, US$ 51 milhões.
O déficit no comércio de autopeças é uma das principais queixas dos argentinos. As dificuldades encontradas na alfândega por empresas do setor levaram a firma Baterias Moura a instalar, no município argentino de Pilar, uma fábrica ao custo de US$ 30 milhões.
A pauta bilateral a ser discutida por Pimentel e Débora não tem graves divergências, apesar das ameaças do secretário de Comércio argentino, Guillermo Moreno, de levantar barreiras a produtos importados, inclusive brasileiros. A proximidade do período eleitoral no país vizinho, no entanto, cria o risco de que os desequilíbrios no comércio ganhem destaque no debate político local.
O resultado de janeiro eleva, de 8,6% para 9,1%, a participação da Argentina entre os mercados para as exportações brasileiras. Os EUA, que compraram US$ 1,7 bilhão em produtos brasileiros neste mês, representam 10,9%. A China segue aumentando a participação como mercado do Brasil, de 10% do total, em janeiro de 2010, para 11,7%. Mantido o ritmo de crescimento nas vendas a ambos os países, a Argentina poderá superar os EUA ainda neste semestre.
Em 2010, o superávit nas transações comerciais com a Argentina chegou a pouco mais de US$ 4 bilhões, 172% acima do resultado do ano anterior. Neste ano, pode chegar a US$ 5,6 bilhões, segundo previsão de uma das consultorias mais respeitadas no país, a Abeceb.
Nas conversas mantidas em Buenos Aires, durante a visita de Dilma ao país, as equipes dos dois governos procuraram tirar o foco da discussão do comércio bilateral e apontaram unanimemente a concorrência da China como o principal problema competitivo dos exportadores dos dois países. Uma das maneiras de tentar enfrentar o problema é a promoção de missões comerciais conjuntas, em busca de terceiros mercados. A Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex) já discute o assunto com o governo argentino.
Fonte
LAS RESERVAS DE BRASIL PASA LA MARCA HISTORICA DE LOS 300 MIL MILLONES DE DOLARES
ECONOMIA - Reservas já ultrapassam os US$ 300 bilhões / Renato Andrade
As reservas internacionais ultrapassaram na quarta-feira a marca histórica de US$ 300 bilhões.
O volume recorde dessa espécie de seguro contra crises reflete a atuação cada vez mais agressiva do Banco Central de enxugar o excesso de dólares que entra no País. "O governo não tem alternativa. O fluxo de dólares continua e o BC tem que esterilizar o excesso", avalia Sidnei Moura Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora de Câmbio. "Considero o valor um exagero, mas não vejo outra saída"".
Pelos dados divulgados ontem, as reservas atingiram na quarta-feira o montante exato de US$ 300,271 bilhões, um salto de US$ 478 milhões em um dia.
Para o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, a política de acúmulo de reservas se mostrou "extremamente bem sucedida". Especialistas, porém, consideram que um volume elevado de reservas gera custo alto para o governo. Essa despesa ocorre por conta da diferença dos juros no Brasil e no exterior. Ao comprar dólares, o BC se endivida em reais e paga ma taxa de juros que atualmente está em 11,25% ao ano e tende a subir. Ao mesmo tempo, o BC aplica os dólares em sua maior parte em títulos do governo dos EUAs, cuja taxa é pouco superior a 3%. / Colaborou Fabio Graner
As reservas internacionais ultrapassaram na quarta-feira a marca histórica de US$ 300 bilhões.
O volume recorde dessa espécie de seguro contra crises reflete a atuação cada vez mais agressiva do Banco Central de enxugar o excesso de dólares que entra no País. "O governo não tem alternativa. O fluxo de dólares continua e o BC tem que esterilizar o excesso", avalia Sidnei Moura Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora de Câmbio. "Considero o valor um exagero, mas não vejo outra saída"".
Pelos dados divulgados ontem, as reservas atingiram na quarta-feira o montante exato de US$ 300,271 bilhões, um salto de US$ 478 milhões em um dia.
Para o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, a política de acúmulo de reservas se mostrou "extremamente bem sucedida". Especialistas, porém, consideram que um volume elevado de reservas gera custo alto para o governo. Essa despesa ocorre por conta da diferença dos juros no Brasil e no exterior. Ao comprar dólares, o BC se endivida em reais e paga ma taxa de juros que atualmente está em 11,25% ao ano e tende a subir. Ao mesmo tempo, o BC aplica os dólares em sua maior parte em títulos do governo dos EUAs, cuja taxa é pouco superior a 3%. / Colaborou Fabio Graner
A DESASTRADA DIPLOMACIA DE LULA
OPINIÃO - A desastrada diplomacia de Lula / Opinião / João Mellão Neto*
Aos 40 dias de governo, Dilma Rousseff tem dado seguidos sinais de que sua gestão não será uma continuação da anterior.
Nem poderia. Ela não teria como competir com Lula no seu principal quesito, que é o carisma. Ele tem uma história de vida fascinante, à qual alia uma retórica arrebatadora. Dilma terá de compensar tudo isso firmando uma imagem diferente. Em princípio - ao que parece - ela o fará primando pela racionalidade, pela firmeza e pela eficiência. Isso tudo a levará a divergir de seu criador. Ao menos no que tange aos aspectos mais polêmicos e heterodoxos de sua administração. Política exterior, por exemplo. Dilma já declarou que se vai contentar em defender valores universais, tais como os direitos humanos. E, também, em respeitar e fazer que sejam respeitados todos os acordos e contratos que forem estabelecidos com as demais nações.
Dilma não pretende seguir a espetaculosa diplomacia de Lula. Nos últimos oito anos, o nosso incansável ex-presidente perambulou e predicou pelo mundo inteiro. Agora já dá para fazer um balanço dos resultados.
Lula fez-se presente nas mais obscuras e desconhecidas nações da África. Oficialmente o fez para incrementar o nosso comércio. Na prática, tudo o que conseguiu foi alimentar nossa curiosidade por geografia.
Como um pai generoso, mostrou-se condescendente com todas as diabruras de nossos vizinhos, aqui, da América Latina. Triplicou o valor que o Brasil paga pela eletricidade do Paraguai, entregou refinarias brasileiras à Bolívia, defendeu intransigentemente a Venezuela, exaltou o regime de Cuba e cedeu a todas as chantagens comerciais da Argentina. Tudo a pretexto de manter uma política de boa vizinhança.
Comprou briga com os EUA a título de reafirmar a nossa autonomia, reconheceu a China como "economia de mercado", cortejou a França como "parceira estratégica", irritou tanto árabes como israelenses ao tentar intermediar os seus conflitos e se indispôs com o resto do mundo ao dar legitimidade ao regime vira-latas de Ahmadinejad, no Irã.
Fez tudo isso com o manifesto objetivo de conseguir para nós uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. E também, segundo ele, para fazer brilhar a imagem do Brasil no exterior. Quais foram os resultados? Vamos lá.
Os países africanos receberam Lula com grandes festas, e não passou disso. No que diz respeito ao comércio, eles não têm dinheiro para comprar nada da gente e nós não temos interesse em comprar nada deles. Fazer um intercâmbio de coqueiros talvez funcione.
Aqui, na América Latina, a imagem do Brasil é a de um grande e balofo cão São Bernardo que, na ânsia de agradar, faz papel de bobo perante os seus coleguinhas menores. A tão almejada "liderança natural" do Brasil no subcontinente, assim, ainda está muito longe de ser alcançada.
Ao contrário. Na Unasul e no Foro de São Paulo quem dá as cartas é Hugo Chávez, que, aliás, se valeu da vaidade e da boa-fé de Lula para nos pôr em situações difíceis. Foi ele que instigou Evo Morales, da Bolívia, a nacionalizar as empresas brasileiras e também transformou a nossa embaixada em Honduras em casa de repouso do ex-presidente de lá.
Lula dispôs-se até a enviar tropas brasileiras para garantir a paz no Haiti. Nossos soldados estão nesse país até hoje. E já faz mais de seis anos. Ninguém sabe quando e como sairemos de lá. Que benefício este gesto de generosidade nos trouxe? Nenhum. Quando ocorreu algo realmente sério - um terremoto -, os norte-americanos trataram de desembarcar por lá e resolver o problema sozinhos. Não confiaram nos nossos pracinhas para nada.
A propósito dos EUA, os nossos gestos de hostilidade a eles serviram apenas para reafirmar a nossa pretensa autonomia terceiro-mundista. Em termos comerciais e políticos, foi um verdadeiro desastre. Logo que assumiu a presidência, Barack Obama cuidou de afirmar, em público, que Lula era "o cara". O nosso presidente levou a gentileza ao pé da letra, acreditou que era realmente um sujeito "especial", e passou a esnobar o colega e o seu país.
Não que os norte-americanos tenham ficado muito sentidos com isso. Apenas o Departamento de Estado riscou o Brasil do mapa e, em consequência, nós perdemos uma chance histórica de vender etanol a eles. Obama já tinha declarado a sua intenção de buscar, em curto prazo, fontes "limpas" de combustível.
Quanto aos outros dois países ricos que Lula cultivou, ocorreu o seguinte: a China aproveitou o status de economia de mercado que o Brasil lhe concedeu para nos entupir de bugigangas fabricadas por lá. E nós não podemos mais levantar nenhuma barreira contra isso. Já quanto à França, a simpatia dela nos custou a promessa de lhes comprarmos três dezenas de aviões de combate.
Agora, a obra-prima da desastrada diplomacia lulista foi a inconsequente tentativa de intermediar um acordo em torno do programa nuclear iraniano. Será que o nosso ex-presidente estava tão cheio de si a ponto de acreditar - como ele mesmo declarou em público - que estava "conseguindo, em 24 horas, o que os americanos não obtiveram em 20 anos"?
O que o Brasil conseguiu, de fato, foi atrapalhar a negociação internacional de sanções contra o Irã. O mundo zangou-se por causa da nossa intromissão e o Brasil ficou com a fama de "parceiro não confiável".
Até os países africanos - que Lula tanto cultivou - votaram contra a proposta brasileira na ONU. E nós contávamos com o apoio deles... Com tudo isso, o tão almejado assento permanente no Conselho de Segurança ficou ainda mais distante.
Pensando bem, será que valeu a pena?
*Jornalista, deputado estadual, foi deputado federal, secretário e ministro de estado. Fonte: O Estado de São Paulo (11/2/2011)
Aos 40 dias de governo, Dilma Rousseff tem dado seguidos sinais de que sua gestão não será uma continuação da anterior.
Nem poderia. Ela não teria como competir com Lula no seu principal quesito, que é o carisma. Ele tem uma história de vida fascinante, à qual alia uma retórica arrebatadora. Dilma terá de compensar tudo isso firmando uma imagem diferente. Em princípio - ao que parece - ela o fará primando pela racionalidade, pela firmeza e pela eficiência. Isso tudo a levará a divergir de seu criador. Ao menos no que tange aos aspectos mais polêmicos e heterodoxos de sua administração. Política exterior, por exemplo. Dilma já declarou que se vai contentar em defender valores universais, tais como os direitos humanos. E, também, em respeitar e fazer que sejam respeitados todos os acordos e contratos que forem estabelecidos com as demais nações.
Dilma não pretende seguir a espetaculosa diplomacia de Lula. Nos últimos oito anos, o nosso incansável ex-presidente perambulou e predicou pelo mundo inteiro. Agora já dá para fazer um balanço dos resultados.
Lula fez-se presente nas mais obscuras e desconhecidas nações da África. Oficialmente o fez para incrementar o nosso comércio. Na prática, tudo o que conseguiu foi alimentar nossa curiosidade por geografia.
Como um pai generoso, mostrou-se condescendente com todas as diabruras de nossos vizinhos, aqui, da América Latina. Triplicou o valor que o Brasil paga pela eletricidade do Paraguai, entregou refinarias brasileiras à Bolívia, defendeu intransigentemente a Venezuela, exaltou o regime de Cuba e cedeu a todas as chantagens comerciais da Argentina. Tudo a pretexto de manter uma política de boa vizinhança.
Comprou briga com os EUA a título de reafirmar a nossa autonomia, reconheceu a China como "economia de mercado", cortejou a França como "parceira estratégica", irritou tanto árabes como israelenses ao tentar intermediar os seus conflitos e se indispôs com o resto do mundo ao dar legitimidade ao regime vira-latas de Ahmadinejad, no Irã.
Fez tudo isso com o manifesto objetivo de conseguir para nós uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. E também, segundo ele, para fazer brilhar a imagem do Brasil no exterior. Quais foram os resultados? Vamos lá.
Os países africanos receberam Lula com grandes festas, e não passou disso. No que diz respeito ao comércio, eles não têm dinheiro para comprar nada da gente e nós não temos interesse em comprar nada deles. Fazer um intercâmbio de coqueiros talvez funcione.
Aqui, na América Latina, a imagem do Brasil é a de um grande e balofo cão São Bernardo que, na ânsia de agradar, faz papel de bobo perante os seus coleguinhas menores. A tão almejada "liderança natural" do Brasil no subcontinente, assim, ainda está muito longe de ser alcançada.
Ao contrário. Na Unasul e no Foro de São Paulo quem dá as cartas é Hugo Chávez, que, aliás, se valeu da vaidade e da boa-fé de Lula para nos pôr em situações difíceis. Foi ele que instigou Evo Morales, da Bolívia, a nacionalizar as empresas brasileiras e também transformou a nossa embaixada em Honduras em casa de repouso do ex-presidente de lá.
Lula dispôs-se até a enviar tropas brasileiras para garantir a paz no Haiti. Nossos soldados estão nesse país até hoje. E já faz mais de seis anos. Ninguém sabe quando e como sairemos de lá. Que benefício este gesto de generosidade nos trouxe? Nenhum. Quando ocorreu algo realmente sério - um terremoto -, os norte-americanos trataram de desembarcar por lá e resolver o problema sozinhos. Não confiaram nos nossos pracinhas para nada.
A propósito dos EUA, os nossos gestos de hostilidade a eles serviram apenas para reafirmar a nossa pretensa autonomia terceiro-mundista. Em termos comerciais e políticos, foi um verdadeiro desastre. Logo que assumiu a presidência, Barack Obama cuidou de afirmar, em público, que Lula era "o cara". O nosso presidente levou a gentileza ao pé da letra, acreditou que era realmente um sujeito "especial", e passou a esnobar o colega e o seu país.
Não que os norte-americanos tenham ficado muito sentidos com isso. Apenas o Departamento de Estado riscou o Brasil do mapa e, em consequência, nós perdemos uma chance histórica de vender etanol a eles. Obama já tinha declarado a sua intenção de buscar, em curto prazo, fontes "limpas" de combustível.
Quanto aos outros dois países ricos que Lula cultivou, ocorreu o seguinte: a China aproveitou o status de economia de mercado que o Brasil lhe concedeu para nos entupir de bugigangas fabricadas por lá. E nós não podemos mais levantar nenhuma barreira contra isso. Já quanto à França, a simpatia dela nos custou a promessa de lhes comprarmos três dezenas de aviões de combate.
Agora, a obra-prima da desastrada diplomacia lulista foi a inconsequente tentativa de intermediar um acordo em torno do programa nuclear iraniano. Será que o nosso ex-presidente estava tão cheio de si a ponto de acreditar - como ele mesmo declarou em público - que estava "conseguindo, em 24 horas, o que os americanos não obtiveram em 20 anos"?
O que o Brasil conseguiu, de fato, foi atrapalhar a negociação internacional de sanções contra o Irã. O mundo zangou-se por causa da nossa intromissão e o Brasil ficou com a fama de "parceiro não confiável".
Até os países africanos - que Lula tanto cultivou - votaram contra a proposta brasileira na ONU. E nós contávamos com o apoio deles... Com tudo isso, o tão almejado assento permanente no Conselho de Segurança ficou ainda mais distante.
Pensando bem, será que valeu a pena?
*Jornalista, deputado estadual, foi deputado federal, secretário e ministro de estado. Fonte: O Estado de São Paulo (11/2/2011)
Sunday, September 5, 2010
FHC Y LA ELECCION DE JOSE SERRA
Alijado da campanha tucana, que prefere usar a imagem de Lula à dele, o ex-presidente deixa claro ao partido que está insatisfeito e ataca os marqueteiros de José SerraYan Boechat
DE PARTIDAFHC fez as malas e viajou ao Exterior na quarta-feira 1º, abandonando a campanha
Já passava das quatro da tarde, na quarta-feira 1º, quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se deu conta de que estava prestes a perder o voo que o levaria para a Alemanha no início daquela noite. Correu até o escritório que mantém em seu amplo apartamento no bairro de Higienópolis, desligou o computador, colocou um moderno iPad numa pasta e deu um conselho brincalhão às duas empregadas que o servem: “Estou indo, cuidem de tudo aí e não vão comer toda a comida”, disse, num chiste de tom quase paternal. Naquele mesmo momento, tucanos de todas as plumagens alvoroçavam-se Brasil afora, revendo estratégias de uma campanha presidencial que eleva o tom a cada dia. No entanto, Fernando Henrique, o nome mais importante do partido, estava alheio a toda esta movimentação. Na verdade, estava pouco se importando com o que ocorria nos comitês eleitorais. “Vou para a Alemanha participar de um encontro de líderes políticos europeus. Não vou ficar me acotovelando no meu partido”, disse o ex-presidente numa entrevista exclusiva e esclarecedora dada à ISTOÉ pouco antes de sair de casa rumo ao aeroporto.
Naquela tarde FHC abandonou a campanha à Presidência de seu ex-ministro da Saúde. Pode não ter sido definitivo, mas, sem dúvida, tratou-se de um abandono simbólico. O fato de o único ex-presidente tucano deixar a batalha eleitoral em sua reta final para tratar de assuntos particulares no Exterior expõe duas verdades inconvenientes ao PSDB. A primeira é de que o partido desistiu de atrelar a imagem de Serra à de FHC, afastando da propaganda eleitoral sua mais graduada estrela. A segunda constatação é de que FHC está magoado com essa situação. “Ele diz que entende, mas não sei no seu íntimo o que se passa. Toda vez que tocamos nesse assunto ele se fechou, preferiu não entrar nessa conversa”, diz um dos assessores mais próximos do ex-presidente nos tempos de Planalto.
RARIDADEFHC surge na campanha dando apoio a Aloysio Nunes
Nos bastidores do partido, porém, dois dias antes de embarcar para a Alemanha, FHC cedeu às mágoas que se acumulam desde a primeira campanha de José Serra à Presidência da República, em 2002. Diante de um grupo de deputados federais do PSDB e do DEM que, como ele, discordam dos rumos da campanha tucana, desabafou: “Estou muito magoado porque o País mudou em nosso governo e agora o Serra faz uma campanha escondendo que quem mudou o Brasil fomos nós.” O grupo de parlamentares havia ido ao apartamento de Higienópolis tentar convencer FHC a exigir um papel mais ativo na disputa à Presidência. Queriam que ele colocasse na mesa sua estatura política e forçasse Serra a aceitar a estratégia de defender que seus oito anos de governo foram o alicerce para as conquistas do governo Lula. Os pedidos foram em vão. “Não vou insistir”, disse Fernando Henrique, encerrando o assunto. “Não há mais espaço para discutir isso, ele está chateado”, admitiu um dos deputados presentes ao encontro.
Um dos principais líderes do PSDB paulista conta que o ponto crucial da irritação de FHC foi a posição dos marqueteiros da campanha de Serra que compararam sua popularidade decrescente no final do mandato aos altos índices de aprovação do presidente Lula, para concluírem que o uso de sua imagem tiraria votos de Serra. Na entrevista à ISTOÉ, FHC desdenhou este tipo de pesquisa. “Sempre depende de como elas são feitas”, comentou. Na verdade, até o momento o ex-presidente pediu votos apenas para dois candidatos ao Senado: Aloysio Nunes (PSDB), em São Paulo, e Marcelo Cerqueira (PPS), no Rio. E ambos subiram nas sondagens depois do apoio. Em Minas Gerais, o ex-presidente Itamar Franco tem pautado sua campanha no Plano Real e já estaria eleito se o pleito terminasse agora.
No PSDB o tema FHC tornou-se tabu. São poucos os grão-tucanos que aceitam falar abertamente sobre seu abandono pelo partido. Uma das exceções é o senador Álvaro Dias, que chegou a ser o candidato a vice de Serra por algumas horas. “Fernando Henrique tem bons motivos para estar magoado, chateado e triste, mas sei que ele é superior a tudo isso”, afirmou. Já nos partidos aliados o descontentamento sobre a forma de tratamento dado ao ex-presidente é mais explícito. “O Fernando Henrique tem razão para estar chateado. O governo dele simplesmente não foi citado na campanha de seu próprio partido”, diz o candidato ao Senado pelo DEM do Rio de Janeiro, Cesar Maia. O presidente do PTB, Roberto Jefferson, é mais enfático: “Infelizmente o Serra caiu nesse conto de que usar FHC seria ruim para a campanha. Errou feio.”
REAL FORTEEm Minas, Itamar Franco faz campanha baseado no sucesso da estabilização
FHC volta da Alemanha na quarta-feira 8. Passa alguns dias em São Paulo e logo em seguida vai para a Bahia, participar de seminários. Mesmo se Serra conseguir passar para o segundo turno ele não poderá comemorar o feito com o amigo de longa data. No início de outubro FHC embarca novamente para o Exterior, desta vez para a Colômbia, onde participará de um encontro com 300 empresários brasileiros, do grupo Lide, de João Doria Jr., com a presença também do presidente colombiano. FHC falará sobre a cena política e econômica do Brasil. Será a volta dele aos grandes salões já com o primeiro turno definido. Na ocasião, poderá provar se tinha ou não razão ao criticar a campanha de Serra. “Tenho fama de pão-duro, mas a verdade é que me acostumei a viver com pouco dinheiro. Esses compromissos fazem parte do meu trabalho atual”, diz ele, tentando explicar as razões pelas quais está deixando o País em um momento tão importante na corrida eleitoral.
“Eu mudei o Brasil e este legado não está aparecendo”
ISTOÉ – O sr. está satisfeito com a campanha do PSDB?FHC – Qualquer coisa que eu diga agora vai ser tomada como crítica à campanha. É uma posição muito incômoda para mim. Fui presidente por oito anos e não me cabe ficar estilhaçando os outros na campanha. Cada um faz o seu. Só depois dos resultados efetivos é que a gente pode dizer o que foi certo e o que foi errado. Hoje se tem a visão do marquetismo. E acho que uma sociedade como a nossa já está um pouco cansada de marquetismo. Vivemos uma época de marquetismo exagerado e é preciso voltar ao nervo político. É importante se tentar algo diferente.
ISTOÉ – O quê, por exemplo?FHC – O que é política? É você ter convicções e tentar fazer com que os outros tenham as mesmas que você. Veja o que aconteceu no caso do Obama. Quem tinha os recursos, a máquina toda, era a Hillary, mas ele sintonizou com o país em dado momento. O Lula também está sintonizado neste momento.
ISTOÉ – E o que Serra pode fazer para sintonizar com o País?FHC – A campanha de Serra não está sintonizada com o País, mas ele tem condições de mudar isto. É uma coisa muito pessoal, mas eu acho que o ator conta muito. Passa muito pela pessoa, pelo ator. Esta semana ele apareceu em tevê nacional (no “Jornal da Globo”) e falou com as pessoas. Se eu fosse o Serra só faria aquilo, não ficaria esperando debates. Qualquer campanha tem que ser de conversa com o País. Eu sempre conversei, o Lula também, cada um do seu jeito. Serra é um homem inteligente, preparado. Ele sabe se expressar de maneira direta, mas não está conseguindo fazer isso.
ISTOÉ – Serra não está se comunicando com o povo?FHC – Mas eu não quero colocar toda a responsabilidade nele. É de todo mundo. É preciso mais tenacidade, motivação. Serra é professor, sabe falar de maneira clara. Há mil modos de se comunicar com o povo.
ISTOÉ – Qual é a receita?FHC – Não há, mas nesse tipo de situação, a meu ver, você tem que convencer, ser espontâneo, fazer graça e ser contundente também. Tem que misturar tudo isto e mostrar que tem garra.
“A sociedade está cansada de marquetismo.É importante buscar contato com o povo”
ISTOÉ – A marquetagem está atrapalhando?FHC – Atrapalha. O povo não te pega. Por exemplo, eles fizeram o Lula ficar calado um ano, no início do governo, para não dizer bobagem. Quando o Lula começou a falar, ele ganhou. Estamos fazendo campanhas engessadas, porque a maior preocupação no campo de batalha é a couraça. Se você conseguir quebrar isso, muda o jogo.
ISTOÉ – O sr. já falou isto para o Serra?FHC – Lógico que já falei. Falo com ele por e-mail principalmente. Eu acho que ele concorda. O problema é que, quando você está em campanha, é muita sugestão, muita pressão, muita responsabilidade. Você não tem liberdade. Agora, é possível mudar. Não há uma onda petista. Há uma onda lulista. Em governo de Estado o PT não está crescendo em nenhum lugar. Acho que nesse momento entra a vontade. Ou você entra com vontade ou não faz nada. Você tem que ter decisão, vontade de lutar.
ISTOÉ – O sr. está magoado por não ser citado na campanha de seu partido?FHC – Quando deixei o governo eu disse que não ia mais fazer política partidária. A decisão foi minha. Não tem cabimento eu ficar me acotovelando no meu partido com outros políticos. Eu não sou caudilho, não sou personalista e nunca aceitei esse tipo de papel. A razão de eu não estar mais na campanha é que eu não quero. Se quisesse, tinha batido na mesa.
ISTOÉ – Não o incomoda ver o candidato José Serra usar a imagem de Lula em vez da sua na campanha?FHC – Pessoalmente não, mas precisa ver politicamente o que isso significa.
ISTOÉ – O sr. está satisfeito com a forma com que seu legado tem sido tratado nesta eleição?FHC – Eu sei o que fiz e posso dizer com orgulho: eu mudei o Brasil. Este legado não está aparecendo, mas vai aparecer. Legado pertence à história. É angustiante o problema do político que tem visão de Estado, porque o julgamento que interessa ele não vai ver. Olha o jeito como Getúlio e Juscelino saíram do governo e a maneira com que foram julgados depois. Quem faz campanha está pensando no hoje e o julgamento que me interessa não é este, é o da história.
ISTOÉ – Lula não acaba se aproveitando deste legado, ao contrário do que faz o PSDB? FHC – Eu acho que presidentes devem pôr limites, sair das campanhas. Tenho uma visão diferente da do Lula, que não quer sair da campanha. O que o Lula está fazendo nunca se viu em nenhum lugar. O presidente virar guerrilheiro? Isso não pode, porque junto ele traz o círculo de poder. É abuso de poder político. Eu tenho uma visão mais republicana.
ISTOÉ – O sr. está pessimista com o Brasil?FHC – Acho que economicamente o Brasil tem motores muito poderosos. O Brasil engatou com o mundo e isso começa de longe. A primeira dívida real que temos nesse ponto é com o Collor. Depois nós reorganizamos o Estado brasileiro. E ainda dizem que eu sou neoliberal... Isso me chateia.
ISTOÉ – E qual a parcela do governo Lula?FHC – Depois que estabilizamos a moeda ele pôde acelerar as políticas sociais, que são as mesmas do nosso governo. Uma das virtudes do governo Lula é que ele se dirigiu muito mais ao povo e o povo sentiu mais a política.
function onLoad() {
var existeComentarios = '5';
var sua_opniao = document.getElementById("sua_opniao");
if(existeComentarios == 0)
sua_opniao.style.display = '';
}
SUA OPINIÃO
COMENTÁRIOS(652)
WALTER
EM 05/09/2010 20:17:14
FHC não vá viajar para o Exterior. Vá até o Cabo Canaveral e tome um ônibus espacial. A culpa pela vitória do LULA é toda sua. Não soube fazer um sucessor em 8 anos de governo e agora quer aparecer de bom moço. Não acha que é um pouco tarde pra isso? Eu voto no
DE PARTIDAFHC fez as malas e viajou ao Exterior na quarta-feira 1º, abandonando a campanha
Já passava das quatro da tarde, na quarta-feira 1º, quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se deu conta de que estava prestes a perder o voo que o levaria para a Alemanha no início daquela noite. Correu até o escritório que mantém em seu amplo apartamento no bairro de Higienópolis, desligou o computador, colocou um moderno iPad numa pasta e deu um conselho brincalhão às duas empregadas que o servem: “Estou indo, cuidem de tudo aí e não vão comer toda a comida”, disse, num chiste de tom quase paternal. Naquele mesmo momento, tucanos de todas as plumagens alvoroçavam-se Brasil afora, revendo estratégias de uma campanha presidencial que eleva o tom a cada dia. No entanto, Fernando Henrique, o nome mais importante do partido, estava alheio a toda esta movimentação. Na verdade, estava pouco se importando com o que ocorria nos comitês eleitorais. “Vou para a Alemanha participar de um encontro de líderes políticos europeus. Não vou ficar me acotovelando no meu partido”, disse o ex-presidente numa entrevista exclusiva e esclarecedora dada à ISTOÉ pouco antes de sair de casa rumo ao aeroporto.
Naquela tarde FHC abandonou a campanha à Presidência de seu ex-ministro da Saúde. Pode não ter sido definitivo, mas, sem dúvida, tratou-se de um abandono simbólico. O fato de o único ex-presidente tucano deixar a batalha eleitoral em sua reta final para tratar de assuntos particulares no Exterior expõe duas verdades inconvenientes ao PSDB. A primeira é de que o partido desistiu de atrelar a imagem de Serra à de FHC, afastando da propaganda eleitoral sua mais graduada estrela. A segunda constatação é de que FHC está magoado com essa situação. “Ele diz que entende, mas não sei no seu íntimo o que se passa. Toda vez que tocamos nesse assunto ele se fechou, preferiu não entrar nessa conversa”, diz um dos assessores mais próximos do ex-presidente nos tempos de Planalto.
RARIDADEFHC surge na campanha dando apoio a Aloysio Nunes
Nos bastidores do partido, porém, dois dias antes de embarcar para a Alemanha, FHC cedeu às mágoas que se acumulam desde a primeira campanha de José Serra à Presidência da República, em 2002. Diante de um grupo de deputados federais do PSDB e do DEM que, como ele, discordam dos rumos da campanha tucana, desabafou: “Estou muito magoado porque o País mudou em nosso governo e agora o Serra faz uma campanha escondendo que quem mudou o Brasil fomos nós.” O grupo de parlamentares havia ido ao apartamento de Higienópolis tentar convencer FHC a exigir um papel mais ativo na disputa à Presidência. Queriam que ele colocasse na mesa sua estatura política e forçasse Serra a aceitar a estratégia de defender que seus oito anos de governo foram o alicerce para as conquistas do governo Lula. Os pedidos foram em vão. “Não vou insistir”, disse Fernando Henrique, encerrando o assunto. “Não há mais espaço para discutir isso, ele está chateado”, admitiu um dos deputados presentes ao encontro.
Um dos principais líderes do PSDB paulista conta que o ponto crucial da irritação de FHC foi a posição dos marqueteiros da campanha de Serra que compararam sua popularidade decrescente no final do mandato aos altos índices de aprovação do presidente Lula, para concluírem que o uso de sua imagem tiraria votos de Serra. Na entrevista à ISTOÉ, FHC desdenhou este tipo de pesquisa. “Sempre depende de como elas são feitas”, comentou. Na verdade, até o momento o ex-presidente pediu votos apenas para dois candidatos ao Senado: Aloysio Nunes (PSDB), em São Paulo, e Marcelo Cerqueira (PPS), no Rio. E ambos subiram nas sondagens depois do apoio. Em Minas Gerais, o ex-presidente Itamar Franco tem pautado sua campanha no Plano Real e já estaria eleito se o pleito terminasse agora.
No PSDB o tema FHC tornou-se tabu. São poucos os grão-tucanos que aceitam falar abertamente sobre seu abandono pelo partido. Uma das exceções é o senador Álvaro Dias, que chegou a ser o candidato a vice de Serra por algumas horas. “Fernando Henrique tem bons motivos para estar magoado, chateado e triste, mas sei que ele é superior a tudo isso”, afirmou. Já nos partidos aliados o descontentamento sobre a forma de tratamento dado ao ex-presidente é mais explícito. “O Fernando Henrique tem razão para estar chateado. O governo dele simplesmente não foi citado na campanha de seu próprio partido”, diz o candidato ao Senado pelo DEM do Rio de Janeiro, Cesar Maia. O presidente do PTB, Roberto Jefferson, é mais enfático: “Infelizmente o Serra caiu nesse conto de que usar FHC seria ruim para a campanha. Errou feio.”
REAL FORTEEm Minas, Itamar Franco faz campanha baseado no sucesso da estabilização
FHC volta da Alemanha na quarta-feira 8. Passa alguns dias em São Paulo e logo em seguida vai para a Bahia, participar de seminários. Mesmo se Serra conseguir passar para o segundo turno ele não poderá comemorar o feito com o amigo de longa data. No início de outubro FHC embarca novamente para o Exterior, desta vez para a Colômbia, onde participará de um encontro com 300 empresários brasileiros, do grupo Lide, de João Doria Jr., com a presença também do presidente colombiano. FHC falará sobre a cena política e econômica do Brasil. Será a volta dele aos grandes salões já com o primeiro turno definido. Na ocasião, poderá provar se tinha ou não razão ao criticar a campanha de Serra. “Tenho fama de pão-duro, mas a verdade é que me acostumei a viver com pouco dinheiro. Esses compromissos fazem parte do meu trabalho atual”, diz ele, tentando explicar as razões pelas quais está deixando o País em um momento tão importante na corrida eleitoral.
“Eu mudei o Brasil e este legado não está aparecendo”
ISTOÉ – O sr. está satisfeito com a campanha do PSDB?FHC – Qualquer coisa que eu diga agora vai ser tomada como crítica à campanha. É uma posição muito incômoda para mim. Fui presidente por oito anos e não me cabe ficar estilhaçando os outros na campanha. Cada um faz o seu. Só depois dos resultados efetivos é que a gente pode dizer o que foi certo e o que foi errado. Hoje se tem a visão do marquetismo. E acho que uma sociedade como a nossa já está um pouco cansada de marquetismo. Vivemos uma época de marquetismo exagerado e é preciso voltar ao nervo político. É importante se tentar algo diferente.
ISTOÉ – O quê, por exemplo?FHC – O que é política? É você ter convicções e tentar fazer com que os outros tenham as mesmas que você. Veja o que aconteceu no caso do Obama. Quem tinha os recursos, a máquina toda, era a Hillary, mas ele sintonizou com o país em dado momento. O Lula também está sintonizado neste momento.
ISTOÉ – E o que Serra pode fazer para sintonizar com o País?FHC – A campanha de Serra não está sintonizada com o País, mas ele tem condições de mudar isto. É uma coisa muito pessoal, mas eu acho que o ator conta muito. Passa muito pela pessoa, pelo ator. Esta semana ele apareceu em tevê nacional (no “Jornal da Globo”) e falou com as pessoas. Se eu fosse o Serra só faria aquilo, não ficaria esperando debates. Qualquer campanha tem que ser de conversa com o País. Eu sempre conversei, o Lula também, cada um do seu jeito. Serra é um homem inteligente, preparado. Ele sabe se expressar de maneira direta, mas não está conseguindo fazer isso.
ISTOÉ – Serra não está se comunicando com o povo?FHC – Mas eu não quero colocar toda a responsabilidade nele. É de todo mundo. É preciso mais tenacidade, motivação. Serra é professor, sabe falar de maneira clara. Há mil modos de se comunicar com o povo.
ISTOÉ – Qual é a receita?FHC – Não há, mas nesse tipo de situação, a meu ver, você tem que convencer, ser espontâneo, fazer graça e ser contundente também. Tem que misturar tudo isto e mostrar que tem garra.
“A sociedade está cansada de marquetismo.É importante buscar contato com o povo”
ISTOÉ – A marquetagem está atrapalhando?FHC – Atrapalha. O povo não te pega. Por exemplo, eles fizeram o Lula ficar calado um ano, no início do governo, para não dizer bobagem. Quando o Lula começou a falar, ele ganhou. Estamos fazendo campanhas engessadas, porque a maior preocupação no campo de batalha é a couraça. Se você conseguir quebrar isso, muda o jogo.
ISTOÉ – O sr. já falou isto para o Serra?FHC – Lógico que já falei. Falo com ele por e-mail principalmente. Eu acho que ele concorda. O problema é que, quando você está em campanha, é muita sugestão, muita pressão, muita responsabilidade. Você não tem liberdade. Agora, é possível mudar. Não há uma onda petista. Há uma onda lulista. Em governo de Estado o PT não está crescendo em nenhum lugar. Acho que nesse momento entra a vontade. Ou você entra com vontade ou não faz nada. Você tem que ter decisão, vontade de lutar.
ISTOÉ – O sr. está magoado por não ser citado na campanha de seu partido?FHC – Quando deixei o governo eu disse que não ia mais fazer política partidária. A decisão foi minha. Não tem cabimento eu ficar me acotovelando no meu partido com outros políticos. Eu não sou caudilho, não sou personalista e nunca aceitei esse tipo de papel. A razão de eu não estar mais na campanha é que eu não quero. Se quisesse, tinha batido na mesa.
ISTOÉ – Não o incomoda ver o candidato José Serra usar a imagem de Lula em vez da sua na campanha?FHC – Pessoalmente não, mas precisa ver politicamente o que isso significa.
ISTOÉ – O sr. está satisfeito com a forma com que seu legado tem sido tratado nesta eleição?FHC – Eu sei o que fiz e posso dizer com orgulho: eu mudei o Brasil. Este legado não está aparecendo, mas vai aparecer. Legado pertence à história. É angustiante o problema do político que tem visão de Estado, porque o julgamento que interessa ele não vai ver. Olha o jeito como Getúlio e Juscelino saíram do governo e a maneira com que foram julgados depois. Quem faz campanha está pensando no hoje e o julgamento que me interessa não é este, é o da história.
ISTOÉ – Lula não acaba se aproveitando deste legado, ao contrário do que faz o PSDB? FHC – Eu acho que presidentes devem pôr limites, sair das campanhas. Tenho uma visão diferente da do Lula, que não quer sair da campanha. O que o Lula está fazendo nunca se viu em nenhum lugar. O presidente virar guerrilheiro? Isso não pode, porque junto ele traz o círculo de poder. É abuso de poder político. Eu tenho uma visão mais republicana.
ISTOÉ – O sr. está pessimista com o Brasil?FHC – Acho que economicamente o Brasil tem motores muito poderosos. O Brasil engatou com o mundo e isso começa de longe. A primeira dívida real que temos nesse ponto é com o Collor. Depois nós reorganizamos o Estado brasileiro. E ainda dizem que eu sou neoliberal... Isso me chateia.
ISTOÉ – E qual a parcela do governo Lula?FHC – Depois que estabilizamos a moeda ele pôde acelerar as políticas sociais, que são as mesmas do nosso governo. Uma das virtudes do governo Lula é que ele se dirigiu muito mais ao povo e o povo sentiu mais a política.
function onLoad() {
var existeComentarios = '5';
var sua_opniao = document.getElementById("sua_opniao");
if(existeComentarios == 0)
sua_opniao.style.display = '';
}
SUA OPINIÃO
COMENTÁRIOS(652)
WALTER
EM 05/09/2010 20:17:14
FHC não vá viajar para o Exterior. Vá até o Cabo Canaveral e tome um ônibus espacial. A culpa pela vitória do LULA é toda sua. Não soube fazer um sucessor em 8 anos de governo e agora quer aparecer de bom moço. Não acha que é um pouco tarde pra isso? Eu voto no
Sunday, October 11, 2009
CHEGOU O PRESENTE DO BRASIL - AGORA ARRANCA DE VEZ
Brasil va a por todas
Premiado con los Juegos de 2016 y convertido en potencia económica, el país asume el reto de erradicar la pobreza FRANCHO BARÓN 11/10/2009
En 1941, el escritor austriaco Stefan Zweig recaló en Río de Janeiro. No era consciente, pero había llegado a Brasil para consumir el poco tiempo que le quedaba de vida. Antes de suicidarse a comienzos de 1942, Zweig culminó un ensayo titulado Brasil, un país de futuro, en el que retrató magistralmente un país de gran potencial que algún día sería un referente económico y tecnológico en el mundo, una potencia emergente que lograría superar el drama de la desigualdad y las favelas.
Todos los éxitos giran en torno a la figura del presidente Lula da Silva
Brasil ha hecho avances sociales sin colisionar con los dictados del mercado
La economía ha mostrado una gran solidez en medio de la debacle general
La actividad despegará en 2010, con un crecimiento estimado del 4,5%
Lula intenta mermar la influencia de EE UU en la economía mundial
Los yacimientos de petróleo financiarán programas sociales y educativos
China se convirtió en abril en el primer socio comercial de Brasil
Sólo la corrupción amenaza con desdibujar un futuro prometedor
Desde entonces, no pocos han tachado la obra de Zweig de poco objetiva, de eurocéntrica y de no tener en cuenta la cruda realidad de un país que aún tenía las heridas abiertas de las ocupaciones coloniales, de la tragedia de la esclavitud y los caciques. Cierto es que después de la publicación de este libro vinieron épocas más o menos prósperas, una dictadura militar de 20 años que mutiló las libertades en todo el país y, por fin, la decadencia más absoluta en las últimas dos décadas del siglo pasado, con una hiperinflación descontrolada y una desigualdad social que no hizo más que crecer exponencialmente. La violencia y el narcotráfico camparon a sus anchas en las principales urbes brasileñas. Los tristemente conocidos meninos da rua pasaron a ser la dramática fotografía de Brasil. El panorama era desalentador y parecía que Zweig hubiese errado de lleno en sus vaticinios.
Ha sido necesario esperar casi 70 años para que la visión que tuvo el autor de Carta de una desconocida comience a tornarse en realidad. Hoy, Brasil, un país de futuro podría revelarse como una obra más actual que nunca, aunque también podría titularse perfectamente Brasil, un país de presente. Lo confirman las constantes noticias que surgen sobre el gigante suramericano: crecimiento económico sostenido, solidez para aguantar la embestida de la crisis financiera, creación imparable de empleo, descubrimiento de ingentes cantidades de petróleo en sus profundidades marinas, consolidación de su tejido industrial, disminución incesante de la desigualdad social con un consecuente surgimiento de la denominada nueva clase media, liderazgo político, económico y militar en Latinoamérica...
Hace algunos días, este rosario de éxitos alcanzaba su clímax con la victoria de Río de Janeiro en la pugna por la sede de los Juegos Olímpicos de 2016, que supondrá una inversión de 14.400 millones de dólares (casi 10.000 millones de euros) en mejoras para una ciudad que arrastra como una cruz la fama de ser uno de los lugares más violentos e inseguros del planeta. El Mundial de Fútbol 2014 también se celebrará en Brasil. La euforia y el optimismo están presentes a lo largo y ancho del país porque, por primera vez en muchas décadas, los brasileños están viviendo un momento histórico en el que todas las piezas parecen encajar. Y todos estos éxitos giran en torno a la figura del presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuyos niveles de popularidad superan el 76%. Hasta Barack Obama lo certificó en la pasada cumbre del G-20 celebrada en Londres, cuando le espetó a Lula frente a otros líderes: "Éste es el hombre del momento".
¿Cuáles han sido las claves del éxito de la política económica aplicada por el ex sindicalista? Sería injusto responder a esta pregunta sin hacer mención al periodo de ocho años comandado por el antecesor de Lula en la Presidencia, el socialdemócrata Fernando Henrique Cardoso, la persona que puso las bases del aún vigente modelo económico basado en tres pilares: un tipo de cambio flexible, un sistema de consecución de metas anuales para reducir progresivamente la inflación y el rigor como principio inquebrantable en la gestión de las cuentas públicas.
El Gobierno brasileño, que al iniciar su gestión suscitó no pocos recelos en el mundo empresarial, ha demostrado que se puede llevar a cabo un programa político de corte social sin necesidad de entrar en colisión con los dictados del mercado. Muchos creyeron que el desembarco de Lula podía suponer una suerte de cubanización de Brasil. Y se equivocaron. Hasta Cardoso, que continúa militando en las filas de la oposición más feroz al Partido de los Trabajadores (PT) de Lula, admitió recientemente: "Brasil está mejor de lo que estaba y va a continuar mejorando".
La crisis financiera internacional ha supuesto el bautismo de fuego de la política económica del Gobierno. Pese al descalabro de los índices de crecimiento en el último trimestre de 2008 y el primero de 2009, la economía brasileña ha demostrado una solidez inusitada en medio de una debacle general. Los analistas consultados por el Banco Central de Brasil (BCB) para la elaboración de sus previsiones semanales coinciden en que el país suramericano cerrará el ejercicio 2009 con una tasa de crecimiento del PIB prácticamente nula (0,01%). La noticia no es para nada negativa, sobre todo si se tiene en cuenta que hace tan sólo algunos meses los mismos expertos pronosticaron números rojos para este año. El Banco Central también prevé un despegue definitivo de la economía brasileña en 2010, con un crecimiento estimado en el 4,5%. El Fondo Monetario Internacional (FMI) es más comedido: considera que la economía brasileña caerá este año el 0,7%, para crecer el 3,5% en 2010. Aunque el FMI tiene previsto mejorar esas cifras en sólo unos días, cuando presente las perspectivas económicas de América Latina, que al igual que Brasil está capeando bastante bien la crisis.
"Hemos demostrado tener musculatura a la hora de afrontar la crisis económica. Mientras en el resto del mundo se ha reducido el empleo, nosotros vamos a cerrar este año con un mínimo de un millón de nuevos puestos de trabajo", comentó recientemente ante un grupo de corresponsales extranjeros Dilma Rousseff, número dos del Gobierno brasileño y candidata del PT para suceder a Lula en las elecciones del próximo año. El dato está en sintonía con el último informe presentado por el Instituto Brasileño de Geografía y Estadística (IBGE), en el que se muestra que en 2008 Brasil alcanzó su mejor indicador de paro desde 1992. La tasa de desempleo cayó el año pasado hasta el 7,2% y fue acompañada de una subida considerable de la renta per cápita mensual, que llegó a los 1.041 reales (algo menos de 400 euros).
Rousseff, ex guerrillera y mujer de confianza del actual presidente, que hace dos semanas anunció su curación definitiva de un cáncer linfático, mencionó también varios indicadores que en su conjunto configuran un horizonte muy alentador: los analistas estiman que el superávit de la balanza comercial brasileña llegará a los 25.850 millones de dólares (17.800 millones de euros) en 2009. Brasil también muestra unas cuentas razonablemente saneadas, con una deuda pública estimada en el 44% del PIB en 2009 y unas reservas que ascienden a 220.000 millones de dólares. Además, el país suramericano ha obtenido el grado de inversión otorgado por las más acreditadas agencias de calificación crediticia: Moody's, Standard & Poor's y Fitch, una especie de sello de calidad que se concede a los países que demuestran garantías y seguridad para la entrada de capitales extranjeros.
Sin embargo, esa pujanza no está exenta de peligros. "Existe el riesgo de que el atractivo de la economía brasileña provoque una entrada masiva de capitales, y es problemático manejarse en la abundancia: en especial, por una peligrosa apreciación del tipo de cambio del real, que perjudicaría su competitividad", advierte Nicolás Eyzaguirre, responsable del FMI para el hemisferio occidental (es decir, para América). "Pero Brasil se erige claramente como locomotora de América Latina, tanto por sus materias primas y su relación privilegiada con China como por esos deberes hechos en materia de política macroeconómica", añade.
Durante los siete años que Lula lleva al frente del Ejecutivo, Brasil ha logrado garantizar la estabilidad de los precios, uno de los asuntos más delicados en un país en el que, desde mediados de los ochenta, una hiperinflación desbocada mutiló la exigua capacidad de consumo de las clases menos pudientes (en 1993, la inflación anual alcanzó la friolera del 2.477%). A través de un sistema de metas para cada ejercicio, Brasil registra desde 2005 índices de inflación por debajo del 6% anual. Otro de los grandes aciertos atribuibles a los dos últimos presidentes brasileños consiste en una política cambiaria anclada en una fluctuación estable del real frente al dólar. La divisa brasileña lleva meses fortalecida con tipos de cambio por debajo de dos reales por dólar, algo que los más críticos consideran un grave obstáculo para las exportaciones. El real se ha apreciado más del 30% respecto al dólar desde finales de marzo. No obstante, el destacable superávit que registra Brasil en su balanza comercial contradice esta tesis.
El difícil acceso al crédito bancario es otro de los asuntos más candentes en este país, que en las últimas décadas ha tenido los tipos de interés más altos del mundo. La situación parece que se está revirtiendo progresivamente con constantes recortes de tipos por parte del Banco Central, hasta llegar al escenario actual (tipo básico anual del 8,75%), que se añaden a los estímulos fiscales y monetarios. Eyzaguirre, del FMI, es partidario de una retirada gradual de esos estímulos una vez se ha demostrado que Brasil va a salir de la crisis como un tiro.
Lula lleva meses haciendo campaña para prescindir del dólar como divisa de referencia en las operaciones comerciales entre Brasil y terceros países. Es una idea que ya ha vendido a los presidentes de Argentina, Uruguay, Colombia y China. Según Brasilia, el objetivo principal de esta maniobra consiste en simplificar y abaratar las transacciones eliminando un eslabón de la cadena cambiaria. Sin embargo, tras esta lógica aplastante se vislumbra otro argumento de mayor calado: la clara intención de Brasil de mermar la influencia de EE UU en la economía mundial. "No necesitamos el dólar. ¿Por qué dos países importantes como China y Brasil tienen que usar el dólar como referencia en lugar de sus monedas nacionales? Esto es absurdo, así como darle a un solo país el poder de imprimir esta moneda. Necesitamos darle más valor a las monedas china y brasileña", afirmó Lula el pasado mayo a la revista china Caijing. Esta declaración coincidió con otra noticia aún más inquietante para Washington: un mes antes, China se había convertido en el primer socio comercial de Brasil, desbancando por primera vez a EE UU.
El FMI defiende parcialmente esa tesis. "La preponderancia del dólar como moneda de reserva internacional y como divisa para las transacciones comerciales genera ciertos problemas: si EE UU endurece su política monetaria y restringe su oferta de dólares, o si hay un colapso en el mercado como ocurrió tras la quiebra de Lehman Brothers, desaparece la liquidez en dólares y las economías más ligadas a esta economía sufren en demasía", declara Eyzaguirre. Por esa razón, economías como la brasileña acumulan grandes reservas en dólares, que de alguna manera lastran la recuperación mundial, pero a la vez suponen un seguro de vida contra crisis imprevistas.
Lula es un animal político cuya intuición y olfato para estar en todo momento en el lugar indicado está fuera de discusión. Despierta la simpatía de Barack Obama, al tiempo que mira hacia otro lado ante las tropelías del presidente venezolano Hugo Chávez. Su carisma y capacidad para agradar a tirios y troyanos parece no conocer límites, quizá porque ha forjado un estilo muy personal de hacer política basado en la moderación. Nunca lo ha reconocido abiertamente, pero de esta manera lleva años desmarcándose de Chávez, que encarna a la izquierda suramericana más tradicional. Sin embargo, el líder bolivariano continúa considerándolo de los suyos. Lula se ha consagrado como el rey del funambulismo político.
Un asunto crucial para el presidente brasileño es la reforma de los órganos de Gobierno de instituciones financieras como el Banco Mundial o el FMI, que Brasilia considera obsoletos y nada representativos del nuevo orden planetario. Lula opina que las potencias emergentes englobadas en el grupo BRIC (Brasil, Rusia, la India y China) están infrarrepresentadas en estas instituciones y, cada vez que tiene la oportunidad, exige modificaciones urgentes en este sentido. Lo hace con la autoridad de quien ejerce activamente un liderazgo económico: cuando la crisis mundial alcanzó su máxima expresión, Brasil anunció un préstamo al FMI por valor de 10.000 millones de dólares, y de esta manera pasó a formar parte del selecto grupo de socios donantes de la institución. Incluso el FMI es consciente de que ese movimiento tectónico de la economía mundial dará más poder a los emergentes. "Tras esta crisis, China se ha convertido ya en el imperio oficioso: en este periodo de transición veremos a grandes potencias convertidas en débiles potencias, y a débiles potencias, como los BRIC, convertidos en fuertes", señalaba esta semana Niall Ferguson, historiador económico de Harvard, en la cumbre de otoño del FMI en Estambul.
El pasado marzo, el líder brasileño responsabilizó a los banqueros "blancos con ojos azules" del estallido de la crisis mundial y a día de hoy su opinión no ha cambiado. En los foros internacionales, Brasil asume desde hace años el papel de portavoz oficioso de los países en vías de desarrollo, en especial de los latinoamericanos y africanos. De hecho, en los contubernios de la política brasileña cada vez cobra más fuerza la tesis de que Lula, una vez abandone el Gobierno en enero de 2011, podría lanzar una fundación que tendría como objetivo mejorar las condiciones de vida en África.
Para Brasilia, lograr un asiento en el Consejo de Seguridad de la ONU, el órgano donde se toman las verdaderas decisiones y en el que, desde su fundación, sólo están representadas las potencias vencedoras de la Segunda Guerra Mundial (EE UU, China, Francia, Reino Unido y Rusia), sería la manera más efectiva de que la voz y los intereses del Tercer Mundo sean tenidos en cuenta. El argumento esgrimido por Lula para alcanzar este objetivo a corto o medio plazo es el indiscutible liderazgo brasileño en la región suramericana. Brasil es la primera economía de América Latina, y esta supremacía se asienta en unas sólidas finanzas que representan el 57% del capital del subcontinente.
Los constantes hallazgos petrolíferos frente a las costas de los Estados de Espíritu Santo, Río de Janeiro y São Paulo apuntalan la tesis de que Brasil marcará el paso de la región en las próximas décadas. Antes de que acabe el año, Lula pretende aprobar un nuevo marco legislativo para regular la explotación de las enormes bolsas de crudo de excelente calidad que se encuentran en el denominado presal, una zona submarina ultraprofunda situada bajo una gruesa capa de sal de dos kilómetros de espesor. Este marco estará compuesto por cuatro leyes que definirán, entre otros asuntos, las cuotas de participación de las petroleras extranjeras en el negocio, la creación de una nueva compañía estatal, ya bautizada como Petrosal, o las compensaciones económicas que recibirán los Estados brasileños donde se sitúan los megacampos de crudo. Ya se sabe que la estatal Petrobras, aparte de ser la operadora privilegiada, tendrá un mínimo del 30% de las participaciones en todas las perforaciones.
El presal, que, según los expertos en energía, representa la gallina brasileña de los huevos de oro, está predestinado a convertirse en la fuente de financiación de un nuevo fondo social que sustentará proyectos relacionados con la educación, la erradicación de la pobreza y el desarrollo tecnológico y científico del país. Habrá dinero para todo ello, puesto que sólo en uno de los campos, el bautizado como Tupí, frente a las costas paulistas, se estima que hay sumergidos entre 5.000 y 8.000 millones de barriles de crudo ligero.
La reducción de la pobreza y de la desigualdad social ha sido otro de los grandes retos del Gobierno durante los últimos años. El crecimiento sostenido y la creación de empleo, acompañados de una sólida política social cuyo talón de Aquiles es el programa de asistencia Bolsa Familia, han surtido un efecto innegable: entre 2003 y 2008, 19,3 millones de personas dejaron atrás la miseria y se incorporaron a la bautizada como nueva clase media, que hoy representa el 53,2% de los brasileños, según datos de la Fundación Getulio Vargas.
No obstante, el trabajo infantil y los excesivos niveles de analfabetismo siguen siendo un problema enquistado en Brasil. Según el IBGE, aunque entre 2007 y 2008 el índice de trabajo infantil mejoró sensiblemente, el año pasado aún trabajaban en Brasil casi 4,5 millones de niños de edades comprendidas entre 5 y 17 años. Esto quiere decir que el 10,2% de los niños y adolescentes brasileños formaban parte de la masa trabajadora del país, en su mayoría de manera ilegal.
El instituto estadístico apunta un dato aún más sangrante: muchos de estos niños y adolescentes afrontaban "triples jornadas", que se traducen en simultanear trabajo con estudios (80% de los que trabajan) y con tareas domésticas (57,1% de los que trabajan y estudian). Pese a una elevada tasa de escolaridad (97,5%), los brasileños mayores de 15 años que no sabían leer ni escribir aún representaban el 10% de la población total del país el año pasado, y analfabetos funcionales había más del doble (21%). La idea del Gobierno es que los beneficios del boyante negocio petrolífero contribuyan a revertir estas más que preocupantes cifras.
Brasil es actualmente la novena economía del planeta, pero según el FMI tiene el potencial para escalar en la lista de los países más prósperos hasta situarse en la sexta posición de un nuevo orden mundial liderado por el grupo BRIC. Para que esto suceda, el gigante suramericano aún debe demostrar que sabe aprovechar esta oportunidad única que le brinda la historia. Con una población de 192 millones de habitantes, petróleo en cantidades nunca antes imaginadas y una democracia consolidada, debería tener la capacidad de hacer frente a los retos que se alzan en el horizonte más inmediato.
Sólo la corrupción, enquistada desde hace décadas en la clase política brasileña, representa en sí misma un dragón de siete cabezas que amenaza con desdibujar un futuro prometedor. El mismo futuro que Stefan Zweig soñó para Brasil hace casi 70 años. La semana pasada, Lula tuvo otro sueño: que en 10 años las favelas se conviertan en barrios humildes libres de una violencia sinfín. Que a nadie le extrañe si termina haciéndose realidad.
El deporte como religión
La victoria de Río de Janeiro en la pugna para albergar los Juegos Olímpicos de 2016 llega como el maná en un momento de euforia colectiva. Para Brasil, que también organizará el Mundial de Fútbol de 2014, el acontecimiento representa la cuadratura del círculo, ya que en este país el deporte es como una religión más. Con esta victoria, el presidente Lula da Silva no sólo ha conseguido poner por primera vez a Suramérica en el mapa olímpico, sino también colgarse una medalla otorgada por la comunidad internacional en reconocimiento a una brillante gestión de siete años. Con tamaño colofón, el ex sindicalista ha ingresado definitivamente en el Olimpo de los líderes más valorados e influyentes del planeta.
La realidad es que muchos brasileños tenían fe ciega en que Río conseguiría alzarse con la victoria en Copenhague. La ciudad está tocada por una belleza natural incomparable, y aunque aún hay mucho trabajo por delante, el dinero del petróleo descubierto frente a los litorales de tres Estados brasileños garantiza los recursos necesarios para la ejecución de unas faraónicas obras. El capital humano carioca también será decisivo para el éxito del cónclave olímpico: los vecinos de la ciudad maravillosa son optimistas y resueltos por naturaleza. No en vano, la revista Forbes acaba de escoger a Río de Janeiro como la ciudad más feliz del planeta.
Brasil ya ha anunciado una megainversión pública y privada en infraestructura por valor de 14.400 millones de dólares (casi 10.000 millones de euros). El dinero irá destinado a culminar las obras del metro de Río, nuevas instalaciones deportivas, duplicar las plazas hoteleras, mejoras urbanísticas y refuerzo de la seguridad en la ciudad. De cumplirse estos objetivos, Río podría sacudirse definitivamente el estigma de ser una de las ciudades más violentas del mundo.
Premiado con los Juegos de 2016 y convertido en potencia económica, el país asume el reto de erradicar la pobreza FRANCHO BARÓN 11/10/2009
En 1941, el escritor austriaco Stefan Zweig recaló en Río de Janeiro. No era consciente, pero había llegado a Brasil para consumir el poco tiempo que le quedaba de vida. Antes de suicidarse a comienzos de 1942, Zweig culminó un ensayo titulado Brasil, un país de futuro, en el que retrató magistralmente un país de gran potencial que algún día sería un referente económico y tecnológico en el mundo, una potencia emergente que lograría superar el drama de la desigualdad y las favelas.
Todos los éxitos giran en torno a la figura del presidente Lula da Silva
Brasil ha hecho avances sociales sin colisionar con los dictados del mercado
La economía ha mostrado una gran solidez en medio de la debacle general
La actividad despegará en 2010, con un crecimiento estimado del 4,5%
Lula intenta mermar la influencia de EE UU en la economía mundial
Los yacimientos de petróleo financiarán programas sociales y educativos
China se convirtió en abril en el primer socio comercial de Brasil
Sólo la corrupción amenaza con desdibujar un futuro prometedor
Desde entonces, no pocos han tachado la obra de Zweig de poco objetiva, de eurocéntrica y de no tener en cuenta la cruda realidad de un país que aún tenía las heridas abiertas de las ocupaciones coloniales, de la tragedia de la esclavitud y los caciques. Cierto es que después de la publicación de este libro vinieron épocas más o menos prósperas, una dictadura militar de 20 años que mutiló las libertades en todo el país y, por fin, la decadencia más absoluta en las últimas dos décadas del siglo pasado, con una hiperinflación descontrolada y una desigualdad social que no hizo más que crecer exponencialmente. La violencia y el narcotráfico camparon a sus anchas en las principales urbes brasileñas. Los tristemente conocidos meninos da rua pasaron a ser la dramática fotografía de Brasil. El panorama era desalentador y parecía que Zweig hubiese errado de lleno en sus vaticinios.
Ha sido necesario esperar casi 70 años para que la visión que tuvo el autor de Carta de una desconocida comience a tornarse en realidad. Hoy, Brasil, un país de futuro podría revelarse como una obra más actual que nunca, aunque también podría titularse perfectamente Brasil, un país de presente. Lo confirman las constantes noticias que surgen sobre el gigante suramericano: crecimiento económico sostenido, solidez para aguantar la embestida de la crisis financiera, creación imparable de empleo, descubrimiento de ingentes cantidades de petróleo en sus profundidades marinas, consolidación de su tejido industrial, disminución incesante de la desigualdad social con un consecuente surgimiento de la denominada nueva clase media, liderazgo político, económico y militar en Latinoamérica...
Hace algunos días, este rosario de éxitos alcanzaba su clímax con la victoria de Río de Janeiro en la pugna por la sede de los Juegos Olímpicos de 2016, que supondrá una inversión de 14.400 millones de dólares (casi 10.000 millones de euros) en mejoras para una ciudad que arrastra como una cruz la fama de ser uno de los lugares más violentos e inseguros del planeta. El Mundial de Fútbol 2014 también se celebrará en Brasil. La euforia y el optimismo están presentes a lo largo y ancho del país porque, por primera vez en muchas décadas, los brasileños están viviendo un momento histórico en el que todas las piezas parecen encajar. Y todos estos éxitos giran en torno a la figura del presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuyos niveles de popularidad superan el 76%. Hasta Barack Obama lo certificó en la pasada cumbre del G-20 celebrada en Londres, cuando le espetó a Lula frente a otros líderes: "Éste es el hombre del momento".
¿Cuáles han sido las claves del éxito de la política económica aplicada por el ex sindicalista? Sería injusto responder a esta pregunta sin hacer mención al periodo de ocho años comandado por el antecesor de Lula en la Presidencia, el socialdemócrata Fernando Henrique Cardoso, la persona que puso las bases del aún vigente modelo económico basado en tres pilares: un tipo de cambio flexible, un sistema de consecución de metas anuales para reducir progresivamente la inflación y el rigor como principio inquebrantable en la gestión de las cuentas públicas.
El Gobierno brasileño, que al iniciar su gestión suscitó no pocos recelos en el mundo empresarial, ha demostrado que se puede llevar a cabo un programa político de corte social sin necesidad de entrar en colisión con los dictados del mercado. Muchos creyeron que el desembarco de Lula podía suponer una suerte de cubanización de Brasil. Y se equivocaron. Hasta Cardoso, que continúa militando en las filas de la oposición más feroz al Partido de los Trabajadores (PT) de Lula, admitió recientemente: "Brasil está mejor de lo que estaba y va a continuar mejorando".
La crisis financiera internacional ha supuesto el bautismo de fuego de la política económica del Gobierno. Pese al descalabro de los índices de crecimiento en el último trimestre de 2008 y el primero de 2009, la economía brasileña ha demostrado una solidez inusitada en medio de una debacle general. Los analistas consultados por el Banco Central de Brasil (BCB) para la elaboración de sus previsiones semanales coinciden en que el país suramericano cerrará el ejercicio 2009 con una tasa de crecimiento del PIB prácticamente nula (0,01%). La noticia no es para nada negativa, sobre todo si se tiene en cuenta que hace tan sólo algunos meses los mismos expertos pronosticaron números rojos para este año. El Banco Central también prevé un despegue definitivo de la economía brasileña en 2010, con un crecimiento estimado en el 4,5%. El Fondo Monetario Internacional (FMI) es más comedido: considera que la economía brasileña caerá este año el 0,7%, para crecer el 3,5% en 2010. Aunque el FMI tiene previsto mejorar esas cifras en sólo unos días, cuando presente las perspectivas económicas de América Latina, que al igual que Brasil está capeando bastante bien la crisis.
"Hemos demostrado tener musculatura a la hora de afrontar la crisis económica. Mientras en el resto del mundo se ha reducido el empleo, nosotros vamos a cerrar este año con un mínimo de un millón de nuevos puestos de trabajo", comentó recientemente ante un grupo de corresponsales extranjeros Dilma Rousseff, número dos del Gobierno brasileño y candidata del PT para suceder a Lula en las elecciones del próximo año. El dato está en sintonía con el último informe presentado por el Instituto Brasileño de Geografía y Estadística (IBGE), en el que se muestra que en 2008 Brasil alcanzó su mejor indicador de paro desde 1992. La tasa de desempleo cayó el año pasado hasta el 7,2% y fue acompañada de una subida considerable de la renta per cápita mensual, que llegó a los 1.041 reales (algo menos de 400 euros).
Rousseff, ex guerrillera y mujer de confianza del actual presidente, que hace dos semanas anunció su curación definitiva de un cáncer linfático, mencionó también varios indicadores que en su conjunto configuran un horizonte muy alentador: los analistas estiman que el superávit de la balanza comercial brasileña llegará a los 25.850 millones de dólares (17.800 millones de euros) en 2009. Brasil también muestra unas cuentas razonablemente saneadas, con una deuda pública estimada en el 44% del PIB en 2009 y unas reservas que ascienden a 220.000 millones de dólares. Además, el país suramericano ha obtenido el grado de inversión otorgado por las más acreditadas agencias de calificación crediticia: Moody's, Standard & Poor's y Fitch, una especie de sello de calidad que se concede a los países que demuestran garantías y seguridad para la entrada de capitales extranjeros.
Sin embargo, esa pujanza no está exenta de peligros. "Existe el riesgo de que el atractivo de la economía brasileña provoque una entrada masiva de capitales, y es problemático manejarse en la abundancia: en especial, por una peligrosa apreciación del tipo de cambio del real, que perjudicaría su competitividad", advierte Nicolás Eyzaguirre, responsable del FMI para el hemisferio occidental (es decir, para América). "Pero Brasil se erige claramente como locomotora de América Latina, tanto por sus materias primas y su relación privilegiada con China como por esos deberes hechos en materia de política macroeconómica", añade.
Durante los siete años que Lula lleva al frente del Ejecutivo, Brasil ha logrado garantizar la estabilidad de los precios, uno de los asuntos más delicados en un país en el que, desde mediados de los ochenta, una hiperinflación desbocada mutiló la exigua capacidad de consumo de las clases menos pudientes (en 1993, la inflación anual alcanzó la friolera del 2.477%). A través de un sistema de metas para cada ejercicio, Brasil registra desde 2005 índices de inflación por debajo del 6% anual. Otro de los grandes aciertos atribuibles a los dos últimos presidentes brasileños consiste en una política cambiaria anclada en una fluctuación estable del real frente al dólar. La divisa brasileña lleva meses fortalecida con tipos de cambio por debajo de dos reales por dólar, algo que los más críticos consideran un grave obstáculo para las exportaciones. El real se ha apreciado más del 30% respecto al dólar desde finales de marzo. No obstante, el destacable superávit que registra Brasil en su balanza comercial contradice esta tesis.
El difícil acceso al crédito bancario es otro de los asuntos más candentes en este país, que en las últimas décadas ha tenido los tipos de interés más altos del mundo. La situación parece que se está revirtiendo progresivamente con constantes recortes de tipos por parte del Banco Central, hasta llegar al escenario actual (tipo básico anual del 8,75%), que se añaden a los estímulos fiscales y monetarios. Eyzaguirre, del FMI, es partidario de una retirada gradual de esos estímulos una vez se ha demostrado que Brasil va a salir de la crisis como un tiro.
Lula lleva meses haciendo campaña para prescindir del dólar como divisa de referencia en las operaciones comerciales entre Brasil y terceros países. Es una idea que ya ha vendido a los presidentes de Argentina, Uruguay, Colombia y China. Según Brasilia, el objetivo principal de esta maniobra consiste en simplificar y abaratar las transacciones eliminando un eslabón de la cadena cambiaria. Sin embargo, tras esta lógica aplastante se vislumbra otro argumento de mayor calado: la clara intención de Brasil de mermar la influencia de EE UU en la economía mundial. "No necesitamos el dólar. ¿Por qué dos países importantes como China y Brasil tienen que usar el dólar como referencia en lugar de sus monedas nacionales? Esto es absurdo, así como darle a un solo país el poder de imprimir esta moneda. Necesitamos darle más valor a las monedas china y brasileña", afirmó Lula el pasado mayo a la revista china Caijing. Esta declaración coincidió con otra noticia aún más inquietante para Washington: un mes antes, China se había convertido en el primer socio comercial de Brasil, desbancando por primera vez a EE UU.
El FMI defiende parcialmente esa tesis. "La preponderancia del dólar como moneda de reserva internacional y como divisa para las transacciones comerciales genera ciertos problemas: si EE UU endurece su política monetaria y restringe su oferta de dólares, o si hay un colapso en el mercado como ocurrió tras la quiebra de Lehman Brothers, desaparece la liquidez en dólares y las economías más ligadas a esta economía sufren en demasía", declara Eyzaguirre. Por esa razón, economías como la brasileña acumulan grandes reservas en dólares, que de alguna manera lastran la recuperación mundial, pero a la vez suponen un seguro de vida contra crisis imprevistas.
Lula es un animal político cuya intuición y olfato para estar en todo momento en el lugar indicado está fuera de discusión. Despierta la simpatía de Barack Obama, al tiempo que mira hacia otro lado ante las tropelías del presidente venezolano Hugo Chávez. Su carisma y capacidad para agradar a tirios y troyanos parece no conocer límites, quizá porque ha forjado un estilo muy personal de hacer política basado en la moderación. Nunca lo ha reconocido abiertamente, pero de esta manera lleva años desmarcándose de Chávez, que encarna a la izquierda suramericana más tradicional. Sin embargo, el líder bolivariano continúa considerándolo de los suyos. Lula se ha consagrado como el rey del funambulismo político.
Un asunto crucial para el presidente brasileño es la reforma de los órganos de Gobierno de instituciones financieras como el Banco Mundial o el FMI, que Brasilia considera obsoletos y nada representativos del nuevo orden planetario. Lula opina que las potencias emergentes englobadas en el grupo BRIC (Brasil, Rusia, la India y China) están infrarrepresentadas en estas instituciones y, cada vez que tiene la oportunidad, exige modificaciones urgentes en este sentido. Lo hace con la autoridad de quien ejerce activamente un liderazgo económico: cuando la crisis mundial alcanzó su máxima expresión, Brasil anunció un préstamo al FMI por valor de 10.000 millones de dólares, y de esta manera pasó a formar parte del selecto grupo de socios donantes de la institución. Incluso el FMI es consciente de que ese movimiento tectónico de la economía mundial dará más poder a los emergentes. "Tras esta crisis, China se ha convertido ya en el imperio oficioso: en este periodo de transición veremos a grandes potencias convertidas en débiles potencias, y a débiles potencias, como los BRIC, convertidos en fuertes", señalaba esta semana Niall Ferguson, historiador económico de Harvard, en la cumbre de otoño del FMI en Estambul.
El pasado marzo, el líder brasileño responsabilizó a los banqueros "blancos con ojos azules" del estallido de la crisis mundial y a día de hoy su opinión no ha cambiado. En los foros internacionales, Brasil asume desde hace años el papel de portavoz oficioso de los países en vías de desarrollo, en especial de los latinoamericanos y africanos. De hecho, en los contubernios de la política brasileña cada vez cobra más fuerza la tesis de que Lula, una vez abandone el Gobierno en enero de 2011, podría lanzar una fundación que tendría como objetivo mejorar las condiciones de vida en África.
Para Brasilia, lograr un asiento en el Consejo de Seguridad de la ONU, el órgano donde se toman las verdaderas decisiones y en el que, desde su fundación, sólo están representadas las potencias vencedoras de la Segunda Guerra Mundial (EE UU, China, Francia, Reino Unido y Rusia), sería la manera más efectiva de que la voz y los intereses del Tercer Mundo sean tenidos en cuenta. El argumento esgrimido por Lula para alcanzar este objetivo a corto o medio plazo es el indiscutible liderazgo brasileño en la región suramericana. Brasil es la primera economía de América Latina, y esta supremacía se asienta en unas sólidas finanzas que representan el 57% del capital del subcontinente.
Los constantes hallazgos petrolíferos frente a las costas de los Estados de Espíritu Santo, Río de Janeiro y São Paulo apuntalan la tesis de que Brasil marcará el paso de la región en las próximas décadas. Antes de que acabe el año, Lula pretende aprobar un nuevo marco legislativo para regular la explotación de las enormes bolsas de crudo de excelente calidad que se encuentran en el denominado presal, una zona submarina ultraprofunda situada bajo una gruesa capa de sal de dos kilómetros de espesor. Este marco estará compuesto por cuatro leyes que definirán, entre otros asuntos, las cuotas de participación de las petroleras extranjeras en el negocio, la creación de una nueva compañía estatal, ya bautizada como Petrosal, o las compensaciones económicas que recibirán los Estados brasileños donde se sitúan los megacampos de crudo. Ya se sabe que la estatal Petrobras, aparte de ser la operadora privilegiada, tendrá un mínimo del 30% de las participaciones en todas las perforaciones.
El presal, que, según los expertos en energía, representa la gallina brasileña de los huevos de oro, está predestinado a convertirse en la fuente de financiación de un nuevo fondo social que sustentará proyectos relacionados con la educación, la erradicación de la pobreza y el desarrollo tecnológico y científico del país. Habrá dinero para todo ello, puesto que sólo en uno de los campos, el bautizado como Tupí, frente a las costas paulistas, se estima que hay sumergidos entre 5.000 y 8.000 millones de barriles de crudo ligero.
La reducción de la pobreza y de la desigualdad social ha sido otro de los grandes retos del Gobierno durante los últimos años. El crecimiento sostenido y la creación de empleo, acompañados de una sólida política social cuyo talón de Aquiles es el programa de asistencia Bolsa Familia, han surtido un efecto innegable: entre 2003 y 2008, 19,3 millones de personas dejaron atrás la miseria y se incorporaron a la bautizada como nueva clase media, que hoy representa el 53,2% de los brasileños, según datos de la Fundación Getulio Vargas.
No obstante, el trabajo infantil y los excesivos niveles de analfabetismo siguen siendo un problema enquistado en Brasil. Según el IBGE, aunque entre 2007 y 2008 el índice de trabajo infantil mejoró sensiblemente, el año pasado aún trabajaban en Brasil casi 4,5 millones de niños de edades comprendidas entre 5 y 17 años. Esto quiere decir que el 10,2% de los niños y adolescentes brasileños formaban parte de la masa trabajadora del país, en su mayoría de manera ilegal.
El instituto estadístico apunta un dato aún más sangrante: muchos de estos niños y adolescentes afrontaban "triples jornadas", que se traducen en simultanear trabajo con estudios (80% de los que trabajan) y con tareas domésticas (57,1% de los que trabajan y estudian). Pese a una elevada tasa de escolaridad (97,5%), los brasileños mayores de 15 años que no sabían leer ni escribir aún representaban el 10% de la población total del país el año pasado, y analfabetos funcionales había más del doble (21%). La idea del Gobierno es que los beneficios del boyante negocio petrolífero contribuyan a revertir estas más que preocupantes cifras.
Brasil es actualmente la novena economía del planeta, pero según el FMI tiene el potencial para escalar en la lista de los países más prósperos hasta situarse en la sexta posición de un nuevo orden mundial liderado por el grupo BRIC. Para que esto suceda, el gigante suramericano aún debe demostrar que sabe aprovechar esta oportunidad única que le brinda la historia. Con una población de 192 millones de habitantes, petróleo en cantidades nunca antes imaginadas y una democracia consolidada, debería tener la capacidad de hacer frente a los retos que se alzan en el horizonte más inmediato.
Sólo la corrupción, enquistada desde hace décadas en la clase política brasileña, representa en sí misma un dragón de siete cabezas que amenaza con desdibujar un futuro prometedor. El mismo futuro que Stefan Zweig soñó para Brasil hace casi 70 años. La semana pasada, Lula tuvo otro sueño: que en 10 años las favelas se conviertan en barrios humildes libres de una violencia sinfín. Que a nadie le extrañe si termina haciéndose realidad.
El deporte como religión
La victoria de Río de Janeiro en la pugna para albergar los Juegos Olímpicos de 2016 llega como el maná en un momento de euforia colectiva. Para Brasil, que también organizará el Mundial de Fútbol de 2014, el acontecimiento representa la cuadratura del círculo, ya que en este país el deporte es como una religión más. Con esta victoria, el presidente Lula da Silva no sólo ha conseguido poner por primera vez a Suramérica en el mapa olímpico, sino también colgarse una medalla otorgada por la comunidad internacional en reconocimiento a una brillante gestión de siete años. Con tamaño colofón, el ex sindicalista ha ingresado definitivamente en el Olimpo de los líderes más valorados e influyentes del planeta.
La realidad es que muchos brasileños tenían fe ciega en que Río conseguiría alzarse con la victoria en Copenhague. La ciudad está tocada por una belleza natural incomparable, y aunque aún hay mucho trabajo por delante, el dinero del petróleo descubierto frente a los litorales de tres Estados brasileños garantiza los recursos necesarios para la ejecución de unas faraónicas obras. El capital humano carioca también será decisivo para el éxito del cónclave olímpico: los vecinos de la ciudad maravillosa son optimistas y resueltos por naturaleza. No en vano, la revista Forbes acaba de escoger a Río de Janeiro como la ciudad más feliz del planeta.
Brasil ya ha anunciado una megainversión pública y privada en infraestructura por valor de 14.400 millones de dólares (casi 10.000 millones de euros). El dinero irá destinado a culminar las obras del metro de Río, nuevas instalaciones deportivas, duplicar las plazas hoteleras, mejoras urbanísticas y refuerzo de la seguridad en la ciudad. De cumplirse estos objetivos, Río podría sacudirse definitivamente el estigma de ser una de las ciudades más violentas del mundo.
Saturday, June 27, 2009
CHINESES VENCEM A LICITACAO DE TRENS NO BRASIL
Chineses vencem licitação da Supervia
O consórcio chinês CMC-CNRCRC ganhou licitação internacional do governo do Estado do Rio para fornecer à Supervia, concessionária de trens urbanos da região metropolitana, 30 trens unidades elétricos (TUE) por US$ 165 milhões. Os trens serão comprados com recursos de um financiamento de US$ 220,9 milhões em fase de contratação pelo governo estadual com o Banco Mundial (Bird) dentro da segunda etapa do Programa Estadual de Transportes (PET II), informou o secretário estadual de Transportes, Julio Lopes.
O contrato com os chineses será assinado na visita oficial que o governador do Rio, Sérgio Cabral, fará à China a partir de segunda-feira, dia 29. Trata-se da maior compra de trens para transporte de passageiros feita pelo Estado do Rio nos últimos 40 anos, disse Amin Murad, presidente da Supervia. "A compra é importante porque temos 50 trens que precisarão ser aposentados em cinco a seis anos", afirmou Murad, que integrará a missão chefiada por Cabral. A Supervia transporta cerca de 500 mil passageiros ao dia, com aumento de 1,5% sobre 2008.
José Gustavo de Souza Costa, presidente do Metrô Rio, que também participa da missão, irá formalizar na China a compra de 114 novos carros com o mesmo fabricante dos TUEs para a Supervia. A compra dos carros pelo Metrô faz parte de um investimento total de R$ 1,15 bilhão programado pela empresa e que inclui também a construção de duas novas estações e a extensão da linha 2.
O secretário disse que a licitação para a compra dos trens da Supervia foi um dos processos mais rápidos feitos na América Latina, segundo avaliação do próprio Bird. O governo fez edital semelhante ao que a administração anterior havia feito para 20 TUEs, fornecidos pela coreana Rotten.
Participaram da atual licitação empresas da China, Coreia do Sul e França. O processo foi aberto em 5 de fevereiro e ontem, concluído o prazo para apresentar recursos, Lopes preparava-se para comunicar aos chineses que eles foram vencedores. O resultado da licitação foi publicado segunda-feira no Diário Oficial do Estado.
O consórcio chinês é liderado pela China National Machinery Import & Export Corp. (CMC), trading criada na década de 50 e que durante muito tempo foi a única autorizada a importar e exportar maquinário da China, disse Marco Polo Moreira Leite, presidente da Asian Trade Link (ATL), que representa o consórcio, ainda formado pela trading CNR (dona da fabricante dos trens Changchun Railway Vehicles Corp. (CRC).
Segundo Lopes, os chineses apresentaram preços bem competitivos em relação aos concorrentes. Ele informou que a diferença entre o valor do financiamento do Bird e o montante a ser gasto com as 30 TUEs (120 carros), poderá ser usada mais adiante para aquisição de novos trens. Parte do financiamento também será utilizado na atualização do plano diretor de transportes urbanos (PDTU).
Lopes disse ainda que o financiamento do Bird precisará ser aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e depois referendado pelo Senado, uma vez que trata-se de empréstimo internacional. "O empréstimo é ao Estado mas com aval da União", afirmou.
O consórcio chinês CMC-CNRCRC ganhou licitação internacional do governo do Estado do Rio para fornecer à Supervia, concessionária de trens urbanos da região metropolitana, 30 trens unidades elétricos (TUE) por US$ 165 milhões. Os trens serão comprados com recursos de um financiamento de US$ 220,9 milhões em fase de contratação pelo governo estadual com o Banco Mundial (Bird) dentro da segunda etapa do Programa Estadual de Transportes (PET II), informou o secretário estadual de Transportes, Julio Lopes.
O contrato com os chineses será assinado na visita oficial que o governador do Rio, Sérgio Cabral, fará à China a partir de segunda-feira, dia 29. Trata-se da maior compra de trens para transporte de passageiros feita pelo Estado do Rio nos últimos 40 anos, disse Amin Murad, presidente da Supervia. "A compra é importante porque temos 50 trens que precisarão ser aposentados em cinco a seis anos", afirmou Murad, que integrará a missão chefiada por Cabral. A Supervia transporta cerca de 500 mil passageiros ao dia, com aumento de 1,5% sobre 2008.
José Gustavo de Souza Costa, presidente do Metrô Rio, que também participa da missão, irá formalizar na China a compra de 114 novos carros com o mesmo fabricante dos TUEs para a Supervia. A compra dos carros pelo Metrô faz parte de um investimento total de R$ 1,15 bilhão programado pela empresa e que inclui também a construção de duas novas estações e a extensão da linha 2.
O secretário disse que a licitação para a compra dos trens da Supervia foi um dos processos mais rápidos feitos na América Latina, segundo avaliação do próprio Bird. O governo fez edital semelhante ao que a administração anterior havia feito para 20 TUEs, fornecidos pela coreana Rotten.
Participaram da atual licitação empresas da China, Coreia do Sul e França. O processo foi aberto em 5 de fevereiro e ontem, concluído o prazo para apresentar recursos, Lopes preparava-se para comunicar aos chineses que eles foram vencedores. O resultado da licitação foi publicado segunda-feira no Diário Oficial do Estado.
O consórcio chinês é liderado pela China National Machinery Import & Export Corp. (CMC), trading criada na década de 50 e que durante muito tempo foi a única autorizada a importar e exportar maquinário da China, disse Marco Polo Moreira Leite, presidente da Asian Trade Link (ATL), que representa o consórcio, ainda formado pela trading CNR (dona da fabricante dos trens Changchun Railway Vehicles Corp. (CRC).
Segundo Lopes, os chineses apresentaram preços bem competitivos em relação aos concorrentes. Ele informou que a diferença entre o valor do financiamento do Bird e o montante a ser gasto com as 30 TUEs (120 carros), poderá ser usada mais adiante para aquisição de novos trens. Parte do financiamento também será utilizado na atualização do plano diretor de transportes urbanos (PDTU).
Lopes disse ainda que o financiamento do Bird precisará ser aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e depois referendado pelo Senado, uma vez que trata-se de empréstimo internacional. "O empréstimo é ao Estado mas com aval da União", afirmou.
Friday, April 3, 2009
TREM BALA - RIO - SAO PAULO
Trem-bala Rio-São Paulo deve ter ao menos oito estaçõesO trem-bala que vai ligar São Paulo ao Rio de Janeiro deve ter pelo menos oito estações obrigatórias e terá capacidade de transportar, no mínimo, 22 mil pessoas por dia. É o que diz um documento da empresa inglesa Halcrow Group entregue ontem ao governo federal, ao qual a Folha (para assinantes) teve acesso. Seriam cinco paradas no Estado de São Paulo (centro de São Paulo, Cumbica, área urbana de Campinas, Viracopos e São José dos Campos) e outras três no Rio (Sul Fluminense, centro do Rio e Galeão). A ideia do governo é entregar o trem antes da Copa do Mundo de 2014, o que parece difícil por conta dos atrasos no andamento do projeto. O primeiro prazo para a entrega desse estudo técnico, por exemplo, era no fim do ano passado. Pelo edital, o trem-bala será obrigado a fazer o trajeto em duas horas
Tuesday, March 17, 2009
RECORD PETROLEO Y GAS
Produção da Petrobras no Brasil registra recorde em fevereiro
REUTERS
RIO DE JANEIRO - A produção de petróleo da Petrobras no Brasil atingiu 1,940 milhão de barris opr dia em fevereiro, estabelecendo recorde mensal, informou a estatal nesta terça-feira em um comunicado. Em janeiro, quando a Petrobras havia registrado a melhor marca anterior, a empresa produziu 1,923 milhão de barris diários em média.
O total em fevereiro representa ainda uma alta de 6,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. "A diferença positiva de 17 mil barris/dia ocorreu na Bacia de Campos e foi proporcionada pelo aumento da produção das plataformas P-51 (Marlim Sul) e P-54 (Roncador)", afirmou a Petrobras em comunicado.
A produção de gás natural dos campos nacionais atingiu 48,867 milhões de m³ diários em fevereiro, mantendo-se nos mesmos níveis da produção de janeiro de 2009 e de fevereiro de 2008, "acompanhando a redução da demanda nacional nos dois primeiros meses do ano".
A produção média de petróleo e gás da Petrobras no Brasil em fevereiro alcançou o recorde de 2,247 milhão de barris de óleo equivalente por dia (boe), um aumento de 5,6% sobre o volume produzido em fevereiro do ano passado e de 1,3% em relação à produção do mês anterior.
Considerados os campos do Brasil e do exterior, a produção total de petróleo e gás natural atingiu no mês passado a média diária de 2,474 milhões de barris de óleo equivalente (boe) diários, alta de 5,2 por cento ante fevereiro de 2008 e de 1,7% em relação a janeiro deste ano.
REUTERS
RIO DE JANEIRO - A produção de petróleo da Petrobras no Brasil atingiu 1,940 milhão de barris opr dia em fevereiro, estabelecendo recorde mensal, informou a estatal nesta terça-feira em um comunicado. Em janeiro, quando a Petrobras havia registrado a melhor marca anterior, a empresa produziu 1,923 milhão de barris diários em média.
O total em fevereiro representa ainda uma alta de 6,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. "A diferença positiva de 17 mil barris/dia ocorreu na Bacia de Campos e foi proporcionada pelo aumento da produção das plataformas P-51 (Marlim Sul) e P-54 (Roncador)", afirmou a Petrobras em comunicado.
A produção de gás natural dos campos nacionais atingiu 48,867 milhões de m³ diários em fevereiro, mantendo-se nos mesmos níveis da produção de janeiro de 2009 e de fevereiro de 2008, "acompanhando a redução da demanda nacional nos dois primeiros meses do ano".
A produção média de petróleo e gás da Petrobras no Brasil em fevereiro alcançou o recorde de 2,247 milhão de barris de óleo equivalente por dia (boe), um aumento de 5,6% sobre o volume produzido em fevereiro do ano passado e de 1,3% em relação à produção do mês anterior.
Considerados os campos do Brasil e do exterior, a produção total de petróleo e gás natural atingiu no mês passado a média diária de 2,474 milhões de barris de óleo equivalente (boe) diários, alta de 5,2 por cento ante fevereiro de 2008 e de 1,7% em relação a janeiro deste ano.
Tuesday, March 10, 2009
PRODUCCION DE AUTOS CRECIO EN 9%
AUTOMOTIVO - Produção de carros cresce 9%
AUTOMOTIVO - Produção de carros cresce 9%Na contramão do pessimismo que assombra as montadoras, a produção nacional de automóveis reagiu em fevereiro.
Números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgados ontem mostram que saíram das fábricas 201.685 unidades 9,2% a mais do que o registrado em janeiro. O resultado anima o setor, que é um dos mais prejudicados pela falta de crédito e pela retração na demanda, mas não zera as perdas acumuladas desde o início da crise econômica mundial. Em relação a fevereiro do ano passado, a produção nacional caiu 20,6%. No acumulado dos dois primeiros meses de 2009, foram produzidos 386.450 veículos retração de 24,1% sobre mesmo período de 2008. O mau desempenho justifica, em parte, o avanço do desemprego: só em fevereiro o setor automotivo fechou 123.948 postos de trabalho, o que representa uma redução de 1,4% em relação a janeiro. Já as exportações, segundo a Anfavea, somaram US$ 538,8 milhões em fevereiro, um crescimento de 27,1% frente a janeiro. Na comparação com fevereiro de 2008, no entanto, as vendas externas caíram 49,2%. O tombo deu o tom do bimestre, que encerrou amargando um recuo de 53,8% ante igual período de 2008. O comportamento das vendas mostrou que a recuperação do setor inspira cuidados. Conforme os dados, o avanço foi modesto. Os negócios fechados no mercado interno em fevereiro totalizaram 199.366 unidades alta de apenas 1% frente a janeiro, e redução de 0,7% em relação a fevereiro de 2008. O estudo da Anfavea inclui veículos leves, caminhões e ônibus, tanto nacionais como importados. Deste total, 168.651 referem-se ao licenciamento de veículos nacionais enquanto 30.715 são de modelos importados. No acumulado do bimestre, foram comercializados 396.820 automóveis volume 4,6% inferior ao registrado em igual intervalo de 2008. As vendas de automóveis e comerciais leves, modelo bicombustível (flex), somaram 166.812 unidades em fevereiro, com participação de 87,2% das vendas do segmento. O resultado corresponde a uma queda de 1,14% na comparação com fevereiro de 2008, quando foram vendidas 168.744 unidades. No caso das máquinas agrícolas, foram vendidas 3,6 mil unidades em fevereiro, com crescimento de 18,2% em relação a janeiro. Na comparação do fevereiro do ano passado houve redução de 8,4%. IPI O presidente da Anfavea, Jackson Schneider, disse ontem que o setor não trabalha com a possibilidade de prorrogação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre a venda de veículos novos, medida que se encerra em 31 de março. Temos a informação do governo de que a medida vale somente para este mês , completou. Schneider destacou que o benefício teve efeitos positivos em todo o país e ajudou a minimizar os efeitos da crise. Além de estancar a queda, foi importante para recuperar as vendas , disse. De acordo com o executivo, as vendas teriam sido entre 15% e 20% menores se o IPI não tivesse reduzido. O benefício nos permitiu vender em torno de 70 mil veículos a mais no bimestre , reforçou Schneider. Na semana passada, empresários e Ministério da Fazenda sentaram à mesa para avaliar a medida.
AUTOMOTIVO - Produção de carros cresce 9%Na contramão do pessimismo que assombra as montadoras, a produção nacional de automóveis reagiu em fevereiro.
Números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgados ontem mostram que saíram das fábricas 201.685 unidades 9,2% a mais do que o registrado em janeiro. O resultado anima o setor, que é um dos mais prejudicados pela falta de crédito e pela retração na demanda, mas não zera as perdas acumuladas desde o início da crise econômica mundial. Em relação a fevereiro do ano passado, a produção nacional caiu 20,6%. No acumulado dos dois primeiros meses de 2009, foram produzidos 386.450 veículos retração de 24,1% sobre mesmo período de 2008. O mau desempenho justifica, em parte, o avanço do desemprego: só em fevereiro o setor automotivo fechou 123.948 postos de trabalho, o que representa uma redução de 1,4% em relação a janeiro. Já as exportações, segundo a Anfavea, somaram US$ 538,8 milhões em fevereiro, um crescimento de 27,1% frente a janeiro. Na comparação com fevereiro de 2008, no entanto, as vendas externas caíram 49,2%. O tombo deu o tom do bimestre, que encerrou amargando um recuo de 53,8% ante igual período de 2008. O comportamento das vendas mostrou que a recuperação do setor inspira cuidados. Conforme os dados, o avanço foi modesto. Os negócios fechados no mercado interno em fevereiro totalizaram 199.366 unidades alta de apenas 1% frente a janeiro, e redução de 0,7% em relação a fevereiro de 2008. O estudo da Anfavea inclui veículos leves, caminhões e ônibus, tanto nacionais como importados. Deste total, 168.651 referem-se ao licenciamento de veículos nacionais enquanto 30.715 são de modelos importados. No acumulado do bimestre, foram comercializados 396.820 automóveis volume 4,6% inferior ao registrado em igual intervalo de 2008. As vendas de automóveis e comerciais leves, modelo bicombustível (flex), somaram 166.812 unidades em fevereiro, com participação de 87,2% das vendas do segmento. O resultado corresponde a uma queda de 1,14% na comparação com fevereiro de 2008, quando foram vendidas 168.744 unidades. No caso das máquinas agrícolas, foram vendidas 3,6 mil unidades em fevereiro, com crescimento de 18,2% em relação a janeiro. Na comparação do fevereiro do ano passado houve redução de 8,4%. IPI O presidente da Anfavea, Jackson Schneider, disse ontem que o setor não trabalha com a possibilidade de prorrogação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre a venda de veículos novos, medida que se encerra em 31 de março. Temos a informação do governo de que a medida vale somente para este mês , completou. Schneider destacou que o benefício teve efeitos positivos em todo o país e ajudou a minimizar os efeitos da crise. Além de estancar a queda, foi importante para recuperar as vendas , disse. De acordo com o executivo, as vendas teriam sido entre 15% e 20% menores se o IPI não tivesse reduzido. O benefício nos permitiu vender em torno de 70 mil veículos a mais no bimestre , reforçou Schneider. Na semana passada, empresários e Ministério da Fazenda sentaram à mesa para avaliar a medida.
Sunday, March 8, 2009
QUEDA DE INFLACION BRASIL
->Crise mundial deve favorecer queda da inflação no Brasil em 2009, diz FGV Flávia Villela Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - A deflação de -0,44% em dezembro, medida pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação Getulio Vargas (FGV), foi um fato positivo e uma surpresa para todos. A opinião é do coordenador de Análises Econômicas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Salomão Quadros. Ele fez um balanço do IGP-DI de 2008, divulgado hoje (7) pela FGV, que apontou alta de 9,10% da inflação no acumulado do ano. “Era praticamente impossível prever, há dois meses, que 2008 encerraria abaixo de 10% de inflação. Em outubro, no auge da desvalorização do câmbio do dólar, era difícil imaginar que houvesse um final de ano com quedas tão fortes de produtos, sobretudo industriais”. Para ele, a tendência de desaceleração deve continuar, principalmente no primeiro semestre deste ano. “O espaço para desaceleração da taxa de inflação é grande e [ela] deve recuar bastante até agosto”. Quadros acredita que, em 2009, o Brasil não sofra recessão e deflação, mas sim um desaquecimento econômico que irá favorecer uma inflação mais baixa. “Quando se tem uma fase de desaquecimento econômico, fica muito mais difícil elevar preço, o que já está acontecendo com os produtos integrados internacionalmente. Conseqüentemente, não se vai permitir que haja repasses de preços. Ao mesmo tempo, haverá menos demanda pressionando a queda no preço dos serviços, que ainda está alto.”Segundo Quadros, o ano de 2008 teve duas dinâmicas de inflação completamente distintas. Quase toda a alta da inflação em 2008 ocorreu no primeiro semestre. O estudo da FGV mostra que a inflação entre janeiro e julho de 2008 foi de 8,35%. Já entre agosto e dezembro de 2008 a variação da inflação foi de 0,69%, após o aprofundamento da crise mundial. “No primeiro semestre de 2008, imaginava-se que a economia continuaria crescendo, que a China continuaria absorvendo as commodities [produtos básicos agrícolas, minerais ou industriais comercializados internacionalmente em grande escala e que são negociados em bolsas de mercadorias]. Com o alastramento da crise, esse quadro mudou. De julho a dezembro, as commodities caíram em cerca de 50% em dólares”, afirmou Quadros.
Rio de Janeiro - A deflação de -0,44% em dezembro, medida pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação Getulio Vargas (FGV), foi um fato positivo e uma surpresa para todos. A opinião é do coordenador de Análises Econômicas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Salomão Quadros. Ele fez um balanço do IGP-DI de 2008, divulgado hoje (7) pela FGV, que apontou alta de 9,10% da inflação no acumulado do ano. “Era praticamente impossível prever, há dois meses, que 2008 encerraria abaixo de 10% de inflação. Em outubro, no auge da desvalorização do câmbio do dólar, era difícil imaginar que houvesse um final de ano com quedas tão fortes de produtos, sobretudo industriais”. Para ele, a tendência de desaceleração deve continuar, principalmente no primeiro semestre deste ano. “O espaço para desaceleração da taxa de inflação é grande e [ela] deve recuar bastante até agosto”. Quadros acredita que, em 2009, o Brasil não sofra recessão e deflação, mas sim um desaquecimento econômico que irá favorecer uma inflação mais baixa. “Quando se tem uma fase de desaquecimento econômico, fica muito mais difícil elevar preço, o que já está acontecendo com os produtos integrados internacionalmente. Conseqüentemente, não se vai permitir que haja repasses de preços. Ao mesmo tempo, haverá menos demanda pressionando a queda no preço dos serviços, que ainda está alto.”Segundo Quadros, o ano de 2008 teve duas dinâmicas de inflação completamente distintas. Quase toda a alta da inflação em 2008 ocorreu no primeiro semestre. O estudo da FGV mostra que a inflação entre janeiro e julho de 2008 foi de 8,35%. Já entre agosto e dezembro de 2008 a variação da inflação foi de 0,69%, após o aprofundamento da crise mundial. “No primeiro semestre de 2008, imaginava-se que a economia continuaria crescendo, que a China continuaria absorvendo as commodities [produtos básicos agrícolas, minerais ou industriais comercializados internacionalmente em grande escala e que são negociados em bolsas de mercadorias]. Com o alastramento da crise, esse quadro mudou. De julho a dezembro, as commodities caíram em cerca de 50% em dólares”, afirmou Quadros.
BRASIL DEFFLACÃO EM DEZEMBRO
Crise mundial deve favorecer queda da inflação no Brasil em 2009, diz FGV Flávia Villela Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - A deflação de -0,44% em dezembro, medida pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação Getulio Vargas (FGV), foi um fato positivo e uma surpresa para todos. A opinião é do coordenador de Análises Econômicas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Salomão Quadros. Ele fez um balanço do IGP-DI de 2008, divulgado hoje (7) pela FGV, que apontou alta de 9,10% da inflação no acumulado do ano. “Era praticamente impossível prever, há dois meses, que 2008 encerraria abaixo de 10% de inflação. Em outubro, no auge da desvalorização do câmbio do dólar, era difícil imaginar que houvesse um final de ano com quedas tão fortes de produtos, sobretudo industriais”. Para ele, a tendência de desaceleração deve continuar, principalmente no primeiro semestre deste ano. “O espaço para desaceleração da taxa de inflação é grande e [ela] deve recuar bastante até agosto”. Quadros acredita que, em 2009, o Brasil não sofra recessão e deflação, mas sim um desaquecimento econômico que irá favorecer uma inflação mais baixa. “Quando se tem uma fase de desaquecimento econômico, fica muito mais difícil elevar preço, o que já está acontecendo com os produtos integrados internacionalmente. Conseqüentemente, não se vai permitir que haja repasses de preços. Ao mesmo tempo, haverá menos demanda pressionando a queda no preço dos serviços, que ainda está alto.”Segundo Quadros, o ano de 2008 teve duas dinâmicas de inflação completamente distintas. Quase toda a alta da inflação em 2008 ocorreu no primeiro semestre. O estudo da FGV mostra que a inflação entre janeiro e julho de 2008 foi de 8,35%. Já entre agosto e dezembro de 2008 a variação da inflação foi de 0,69%, após o aprofundamento da crise mundial. “No primeiro semestre de 2008, imaginava-se que a economia continuaria crescendo, que a China continuaria absorvendo as commodities [produtos básicos agrícolas, minerais ou industriais comercializados internacionalmente em grande escala e que são negociados em bolsas de mercadorias]. Com o alastramento da crise, esse quadro mudou. De julho a dezembro, as commodities caíram em cerca de 50% em dólares”, afirmou Quadros.
Rio de Janeiro - A deflação de -0,44% em dezembro, medida pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação Getulio Vargas (FGV), foi um fato positivo e uma surpresa para todos. A opinião é do coordenador de Análises Econômicas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Salomão Quadros. Ele fez um balanço do IGP-DI de 2008, divulgado hoje (7) pela FGV, que apontou alta de 9,10% da inflação no acumulado do ano. “Era praticamente impossível prever, há dois meses, que 2008 encerraria abaixo de 10% de inflação. Em outubro, no auge da desvalorização do câmbio do dólar, era difícil imaginar que houvesse um final de ano com quedas tão fortes de produtos, sobretudo industriais”. Para ele, a tendência de desaceleração deve continuar, principalmente no primeiro semestre deste ano. “O espaço para desaceleração da taxa de inflação é grande e [ela] deve recuar bastante até agosto”. Quadros acredita que, em 2009, o Brasil não sofra recessão e deflação, mas sim um desaquecimento econômico que irá favorecer uma inflação mais baixa. “Quando se tem uma fase de desaquecimento econômico, fica muito mais difícil elevar preço, o que já está acontecendo com os produtos integrados internacionalmente. Conseqüentemente, não se vai permitir que haja repasses de preços. Ao mesmo tempo, haverá menos demanda pressionando a queda no preço dos serviços, que ainda está alto.”Segundo Quadros, o ano de 2008 teve duas dinâmicas de inflação completamente distintas. Quase toda a alta da inflação em 2008 ocorreu no primeiro semestre. O estudo da FGV mostra que a inflação entre janeiro e julho de 2008 foi de 8,35%. Já entre agosto e dezembro de 2008 a variação da inflação foi de 0,69%, após o aprofundamento da crise mundial. “No primeiro semestre de 2008, imaginava-se que a economia continuaria crescendo, que a China continuaria absorvendo as commodities [produtos básicos agrícolas, minerais ou industriais comercializados internacionalmente em grande escala e que são negociados em bolsas de mercadorias]. Com o alastramento da crise, esse quadro mudou. De julho a dezembro, as commodities caíram em cerca de 50% em dólares”, afirmou Quadros.
BRASIL - TECNOLOGIA DE PUNTA
TECNOLOGIA - Brasil está bem atrasado em inovação tecnológica
TECNOLOGIA - Brasil está bem atrasado em inovação tecnológicaO Ministério da Ciência e Tecnologia anunciou que a União destinará R$ 1,3 bilhão a 1,9 mil pequenos empreendimentos que tenham conhecimento como base, nos próximos quatro anos.
A iniciativa prevê a entrega de R$ 120 mil para cada empresa selecionada em 2009 e outros R$ 120 mil no próximo ano, estes considerados como empréstimo, com devolução em até cem parcelas. Segundo o ministério, o Programa Primeira Empresa Inovadora (Prime) da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) destinará esse recurso a empresas com até dois anos de vida com uma perspectiva bem definida :"É dinheiro dado mesmo". O projeto parte de uma significativa pretensão: o Prime será lançado em 17 editais regionais concomitantes. É uma decisão curiosa porque a realidade desse tipo de esforço dirigido de pesquisa não é dispersivo em termos da oferta de recursos. Há um conceito básico nesse processo, o de "encadeamento dinâmico", um círculo virtuoso que envolve a relação entre pesquisa e ambiente de negócios que se realimenta e se reproduz naturalmente. É o caso da concentração de indústrias intensivas em tecnologia no Estado de São Paulo, um reflexo de um tipo definido de convivência entre ciência e negócios. É exatamente por essa razão, por essa concentração, que 55% da ciência que é produzida no País ocorre em São Paulo. Esse índice permanece inalterado há dez anos, como mostram os dados da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Esse fato sugere que a dispersão de recursos em 17 polos pode não ser a melhor escolha para um programa desse tipo. O Brasil tem alguns centros de busca de tecnologia específicos que devem ser incentivados antes que se abram novas frentes. O mundo desenvolvido não faz esse tipo de dispersão quando aloca recursos para pesquisa e desenvolvimento, em especial os de fundo perdido. Vale notar que o projeto da Finep, por outro lado, pretende contar com a participação das chamadas incubadoras tecnológicas, que abrigarão empreendimentos de porte muito menor, ao longo de doze meses. A perspectiva do governo é de que, hoje, o Brasil dispõe de inúmeros jovens que saem da universidade para buscar emprego no mercado, e o governo quer criar um ambiente propício que eles busquem também a opção de criar uma empresa de conhecimento, estimulando o cenário de inovação no País. Por mais bem intencionada que seja tal perspectiva sustentando esse programa, a evolução da pesquisa aplicada no mundo não cumpriu esse roteiro. É preciso observar que escolhas de apoio à pesquisa e desenvolvimento não condizentes às necessidades reais conduziram o País a uma situação de atraso crônico na procura por inovação tecnológica. É verdade que a crise econômica desacelerou em 6,9%, abaixo da média dos três últimos anos, o número de patentes registradas em 2008, como revelou em janeiro a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Ompi). Historicamente, o registro de patentes cai nos períodos de dificuldade econômica, mas empresas da Coreia do Sul e da China foram as que mais preservaram em 2008 a capacidade de inovação. Como nos exercícios anteriores, os EUA em 2008 tiveram mais patentes solicitadas: 52.521 pedidos, 32,7% do total., porém 1% a menos dos registrados em 2007. O Japão está em segundo lugar, com 17,5% do total, alta de 3,6%, apesar da crise., Depois, vêm pela ordem: Alemanha, Coreia do Sul, França, China, Reino Unido, Holanda e Suécia. Uma multinacional chinesa lidera esse ranking, com 1.737 patentes requeridas, seguida por uma empresa japonesa e por uma holandesa. A posição brasileira nesse quadro é preocupante, principalmente no que diz respeito ao bom uso dos recursos para gerar inovação tecnológica. Como mostrou estudo de escritório de advocacia especializado no assunto, o Brasil registrou 27 patentes a cada US$ 1 bilhão investido em P&D, ante 103 no Japão e 129 na Coreia. O Brasil ocupa o 27 lugar na relação entre PIB e produção de patentes. A comparação no bom uso de recursos investidos em ciência é dramática para o País: para cada US$ 1 milhão alocado em investigação científica foi gerado 0,29 patente. Na Coréia esse mesmo milhão produz 5 patentes; no Japão, 3,3; na Nova Zelândia, 1,8; e na Rússia, até 1,5. Vale lembrar, como comparação, que o PIB coreano no ano passado foi de US$ 1,05 trilhão, com 49,5 milhões de habitantes. Nesse mesmo parâmetro o PIB brasileiro alcançou US$ 1,6 trilhão, para uma produção de ciência e tecnologia muito menor. Esse quadro precisa mudar.
TECNOLOGIA - Brasil está bem atrasado em inovação tecnológicaO Ministério da Ciência e Tecnologia anunciou que a União destinará R$ 1,3 bilhão a 1,9 mil pequenos empreendimentos que tenham conhecimento como base, nos próximos quatro anos.
A iniciativa prevê a entrega de R$ 120 mil para cada empresa selecionada em 2009 e outros R$ 120 mil no próximo ano, estes considerados como empréstimo, com devolução em até cem parcelas. Segundo o ministério, o Programa Primeira Empresa Inovadora (Prime) da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) destinará esse recurso a empresas com até dois anos de vida com uma perspectiva bem definida :"É dinheiro dado mesmo". O projeto parte de uma significativa pretensão: o Prime será lançado em 17 editais regionais concomitantes. É uma decisão curiosa porque a realidade desse tipo de esforço dirigido de pesquisa não é dispersivo em termos da oferta de recursos. Há um conceito básico nesse processo, o de "encadeamento dinâmico", um círculo virtuoso que envolve a relação entre pesquisa e ambiente de negócios que se realimenta e se reproduz naturalmente. É o caso da concentração de indústrias intensivas em tecnologia no Estado de São Paulo, um reflexo de um tipo definido de convivência entre ciência e negócios. É exatamente por essa razão, por essa concentração, que 55% da ciência que é produzida no País ocorre em São Paulo. Esse índice permanece inalterado há dez anos, como mostram os dados da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Esse fato sugere que a dispersão de recursos em 17 polos pode não ser a melhor escolha para um programa desse tipo. O Brasil tem alguns centros de busca de tecnologia específicos que devem ser incentivados antes que se abram novas frentes. O mundo desenvolvido não faz esse tipo de dispersão quando aloca recursos para pesquisa e desenvolvimento, em especial os de fundo perdido. Vale notar que o projeto da Finep, por outro lado, pretende contar com a participação das chamadas incubadoras tecnológicas, que abrigarão empreendimentos de porte muito menor, ao longo de doze meses. A perspectiva do governo é de que, hoje, o Brasil dispõe de inúmeros jovens que saem da universidade para buscar emprego no mercado, e o governo quer criar um ambiente propício que eles busquem também a opção de criar uma empresa de conhecimento, estimulando o cenário de inovação no País. Por mais bem intencionada que seja tal perspectiva sustentando esse programa, a evolução da pesquisa aplicada no mundo não cumpriu esse roteiro. É preciso observar que escolhas de apoio à pesquisa e desenvolvimento não condizentes às necessidades reais conduziram o País a uma situação de atraso crônico na procura por inovação tecnológica. É verdade que a crise econômica desacelerou em 6,9%, abaixo da média dos três últimos anos, o número de patentes registradas em 2008, como revelou em janeiro a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Ompi). Historicamente, o registro de patentes cai nos períodos de dificuldade econômica, mas empresas da Coreia do Sul e da China foram as que mais preservaram em 2008 a capacidade de inovação. Como nos exercícios anteriores, os EUA em 2008 tiveram mais patentes solicitadas: 52.521 pedidos, 32,7% do total., porém 1% a menos dos registrados em 2007. O Japão está em segundo lugar, com 17,5% do total, alta de 3,6%, apesar da crise., Depois, vêm pela ordem: Alemanha, Coreia do Sul, França, China, Reino Unido, Holanda e Suécia. Uma multinacional chinesa lidera esse ranking, com 1.737 patentes requeridas, seguida por uma empresa japonesa e por uma holandesa. A posição brasileira nesse quadro é preocupante, principalmente no que diz respeito ao bom uso dos recursos para gerar inovação tecnológica. Como mostrou estudo de escritório de advocacia especializado no assunto, o Brasil registrou 27 patentes a cada US$ 1 bilhão investido em P&D, ante 103 no Japão e 129 na Coreia. O Brasil ocupa o 27 lugar na relação entre PIB e produção de patentes. A comparação no bom uso de recursos investidos em ciência é dramática para o País: para cada US$ 1 milhão alocado em investigação científica foi gerado 0,29 patente. Na Coréia esse mesmo milhão produz 5 patentes; no Japão, 3,3; na Nova Zelândia, 1,8; e na Rússia, até 1,5. Vale lembrar, como comparação, que o PIB coreano no ano passado foi de US$ 1,05 trilhão, com 49,5 milhões de habitantes. Nesse mesmo parâmetro o PIB brasileiro alcançou US$ 1,6 trilhão, para uma produção de ciência e tecnologia muito menor. Esse quadro precisa mudar.
BIODIESEL BRASIL - TERCER PRODUCTOR
Brasil já ocupa terceiro lugar em produção e consumo de biodiesel Sabrina Craide Repórter da Agência Brasil
Brasília - Com uma produção de 1,2 bilhão de litros de biodiesel em 2008, o Brasil se tornou o terceiro produtor e consumidor do produto no mundo, ficando atrás da Alemanha e dos Estados Unidos. No entanto, a capacidade de produção do combustível em janeiro foi de 3,7 bilhões de litros. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, o crescimento pode ser atribuído à obrigatoriedade da adição de biodiesel ao diesel, que começou com um percentual de 2% e no segundo semestre passou para 3%. Segundo o governo, o atendimento pleno do mercado foi garantido pela organização da cadeia produtiva, conseqüência de um marco regulatório estável e da promoção de leilões nos últimos três anos. Atualmente, o governo está analisando a antecipação da obrigatoriedade de misturar 4% de biodiesel ao diesel comum, chamado de mistura B4, para vigorar em meados deste ano. Também está sendo estudada a antecipação de 2013 para 2010 da mistura de 5% .
Brasília - Com uma produção de 1,2 bilhão de litros de biodiesel em 2008, o Brasil se tornou o terceiro produtor e consumidor do produto no mundo, ficando atrás da Alemanha e dos Estados Unidos. No entanto, a capacidade de produção do combustível em janeiro foi de 3,7 bilhões de litros. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, o crescimento pode ser atribuído à obrigatoriedade da adição de biodiesel ao diesel, que começou com um percentual de 2% e no segundo semestre passou para 3%. Segundo o governo, o atendimento pleno do mercado foi garantido pela organização da cadeia produtiva, conseqüência de um marco regulatório estável e da promoção de leilões nos últimos três anos. Atualmente, o governo está analisando a antecipação da obrigatoriedade de misturar 4% de biodiesel ao diesel comum, chamado de mistura B4, para vigorar em meados deste ano. Também está sendo estudada a antecipação de 2013 para 2010 da mistura de 5% .
Friday, March 6, 2009
BRASIL Y LA PRODUCCION DE GAS
Dilma destaca avanço do país na produção de gás natural Nielmar de Oliveira Enviado Especial
Linhares (ES) - A ministra-chefe da Cada Civi, Dilma Rousseff, afirmou hoje (6), que a conclusão da segunda fase da Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas, localizada na cidade de Linhares, mostra a capacidade do Brasil de planejar e executar grandes projetos e faz com que o setor de gás natural no Brasil atinja a sua maturidade."É preciso lembrar que nós temos hoje, aqui, uma unidade produzindo 18 milhões de metros cúbicos diários de gás natural e que, quando o presidente Lula assumiu o governo, em 2003, não produzíamos nada e éramos totalmente dependentes do gás importado da Bolívia", disse Dilma. A ministra lembrou, em seu discurso, que isso só foi possível em razão da determinação dada pelo presidente Lula, quando da decisão do governo da Bolívia de reestatizar o setor de gás daquele país, de aumentar investimentos que levassem o país a ser autosuficiente também em gás natural."A Petrobras é um orgulho nacional, porque mostra a capacidade do Brasil de planejar e executar projetos. O setor de gás natural no Brasil atinge a maturidade, porque nós temos hoje aqui uma unidade que produzirá cerca de 18 milhões de metros cúbicos de gás. Isto chega a ser 60% do que nos importamos da Bolívia", afirmou a ministra.Na avaliação de Dilma Rousseff, o país hoje tem em processo de implantação e conclusão uma estrutura de processo e uma malha de distribuição de gás capaz de fazer inveja aos países mais desenvolvidos do mundo. "Com a malha de dutos que levará gás do sudeste para o nordeste do país, nós daremos uma infinidade de opções para a nossa matriz energética, gerando emprego, renda e energia de forma mais confiável", concluiu a ministra.
Linhares (ES) - A ministra-chefe da Cada Civi, Dilma Rousseff, afirmou hoje (6), que a conclusão da segunda fase da Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas, localizada na cidade de Linhares, mostra a capacidade do Brasil de planejar e executar grandes projetos e faz com que o setor de gás natural no Brasil atinja a sua maturidade."É preciso lembrar que nós temos hoje, aqui, uma unidade produzindo 18 milhões de metros cúbicos diários de gás natural e que, quando o presidente Lula assumiu o governo, em 2003, não produzíamos nada e éramos totalmente dependentes do gás importado da Bolívia", disse Dilma. A ministra lembrou, em seu discurso, que isso só foi possível em razão da determinação dada pelo presidente Lula, quando da decisão do governo da Bolívia de reestatizar o setor de gás daquele país, de aumentar investimentos que levassem o país a ser autosuficiente também em gás natural."A Petrobras é um orgulho nacional, porque mostra a capacidade do Brasil de planejar e executar projetos. O setor de gás natural no Brasil atinge a maturidade, porque nós temos hoje aqui uma unidade que produzirá cerca de 18 milhões de metros cúbicos de gás. Isto chega a ser 60% do que nos importamos da Bolívia", afirmou a ministra.Na avaliação de Dilma Rousseff, o país hoje tem em processo de implantação e conclusão uma estrutura de processo e uma malha de distribuição de gás capaz de fazer inveja aos países mais desenvolvidos do mundo. "Com a malha de dutos que levará gás do sudeste para o nordeste do país, nós daremos uma infinidade de opções para a nossa matriz energética, gerando emprego, renda e energia de forma mais confiável", concluiu a ministra.
COMISION DE INFRAESTRUCTURA Y FERNANDO COLLOR
Collor já começa a articular agenda de trabalho da Comissão de Infra-estrutura Marcos Chagas Repórter da Agência Brasil
Brasília - O senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) já começou as articulações para discutir e começar a formular uma agenda propositiva, como ele mesmo define, aos trabalhos da Comissão de Infra-estrutura. A Agência Brasil apurou que hoje (5) ele acertou com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, uma reunião para a próxima semana.Fernando Collor também falou por telefone com a ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff, para que possam discutir sobre o assunto. Na conversa, a ministra informou que estava de viagem para São Paulo e, assim que retornasse, marcariam um encontro para tratar das propostas pertinentes à comissão.Em outra frente, Collor determinou à secretaria da comissão que realize um levantamento de todas as matérias que estão pendentes de apreciação. A intenção do senador é desenvolver um trabalho que deixe de ser reativo para discussão com os colegas de comissão.Uma de suas preocupações são as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que estão paradas ou com andamento atrasado. Neste sentido, Fernando Collor de Mello deve propor à comissão de Infra-estrutura, que trabalhe no acompanhamento e fiscalização, caso a caso, dessas obras.O senador petebista tem o mesmo raciocínio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra Dilma Rousseff quando o assunto é o investimento do Estado em obras estruturantes. Collor entende que, neste momento de crise no sistema financeiro, a injeção de recursos do Estado em obras de infra-estrutura mantém a economia aquecida e os investimentos privados. ','').replace('','') -->
Brasília - O senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) já começou as articulações para discutir e começar a formular uma agenda propositiva, como ele mesmo define, aos trabalhos da Comissão de Infra-estrutura. A Agência Brasil apurou que hoje (5) ele acertou com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, uma reunião para a próxima semana.Fernando Collor também falou por telefone com a ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff, para que possam discutir sobre o assunto. Na conversa, a ministra informou que estava de viagem para São Paulo e, assim que retornasse, marcariam um encontro para tratar das propostas pertinentes à comissão.Em outra frente, Collor determinou à secretaria da comissão que realize um levantamento de todas as matérias que estão pendentes de apreciação. A intenção do senador é desenvolver um trabalho que deixe de ser reativo para discussão com os colegas de comissão.Uma de suas preocupações são as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que estão paradas ou com andamento atrasado. Neste sentido, Fernando Collor de Mello deve propor à comissão de Infra-estrutura, que trabalhe no acompanhamento e fiscalização, caso a caso, dessas obras.O senador petebista tem o mesmo raciocínio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra Dilma Rousseff quando o assunto é o investimento do Estado em obras estruturantes. Collor entende que, neste momento de crise no sistema financeiro, a injeção de recursos do Estado em obras de infra-estrutura mantém a economia aquecida e os investimentos privados. ','').replace('','') -->
Thursday, March 5, 2009
ECONOMIA BRASILERA - ENERO FEBRERO 2009
RÍO DE JANEIRO, 4 mar (IPS) - Brasil volvió a obtener superávit comercial en febrero, pero a costa de una caída de 24 por ciento en las importaciones respecto de enero, por una fuerte retracción de la actividad industrial que puede provocar recesión económica.
Se redujeron sobre todo las importaciones de materias primas y bienes intermedios en sectores cuya producción depende de componentes extranjeros, tanto para el mercado interno como para las exportaciones, observó José Augusto de Castro, vicepresidente de la Asociación Brasileña de Comercio Exterior. Su inquietud ante "la velocidad de la caída de las importaciones" es inusual en un dirigente que siempre se preocupó en ampliar las exportaciones y refleja el temor a la recesión en la economía brasileña, si bien De Castro aún no la considera inevitable, porque depende de actitudes del gobierno y de un mundo "sin rumbo definido". De hecho, las exportaciones brasileñas de febrero fueron 25 por ciento menores que las de febrero del año pasado. El superávit de comercial de 1.767 millones de dólares se debió a una caída mayor de las importaciones, de 34,5 por ciento, respecto del mismo período. Esa tendencia se debe en parte a la depreciación de la moneda nacional frente al dólar desde agosto, pero especialmente a la "caída del nivel de actividad del mercado interno", dijo De Castro a IPS. La crisis financiera mundial golpeó a este país sudamericano a partir de octubre, primero por una brusca escasez de crédito y luego por el impacto en las exportaciones. Cayeron los precios de las materias primas que Brasil exporta, pero no tanto el volumen, si bien algunos sectores industriales, como la metalurgia, sufrieron a la vez baja de precios y de cantidades vendidas. En el período enero-febrero el flujo comercial brasileño, sumando exportaciones e importaciones, fue de 37.497 millones de dólares, casi 22 por ciento menor al primer bimestre del año pasado. Solo Asia aumentó sus importaciones desde Brasil en el último bimestre, gracias a China, que importó 23,3 por ciento más que en enero-febrero de 2008. Asia se convirtió en el mercado más importante para Brasil, y su dinamismo se mantendría, espera el secretario de Comercio Exterior del Ministerio de Desarrollo, Welber Barral. Pero esa tendencia asiática a sostener las exportaciones brasileñas puede cambiar en los próximos meses, teme De Castro, pues depende de los precios de bienes agrícolas y minerales, que Brasil vende en gran cantidad a China. En la otra punta, las exportaciones brasileñas a Estados Unidos y Argentina fueron las que más cayeron, 38 y 46,5 por ciento respectivamente, en el primer bimestre. Brasil registraría este año su primer déficit comercial con Estados Unidos en 10 años, prevé De Castro. Con Argentina resurgieron con fuerza las disputas comerciales, ante medidas proteccionistas adoptadas por Buenos Aires. Brasil piensa financiar las exportaciones que se dirijan a ese país, como a otros vecinos en dificultades financieras. Otra idea es fijar cuotas para electrodomésticos, textiles y calzados, de forma de evitar nuevas acciones argentinas. No sirve de nada presionar por un comercio sin trabas, porque Argentina "no tiene alternativas", en un momento de pesadas pérdidas en las cosechas de sus principales productos agrícolas, soja y trigo, agravadas por la caída de precios internacionales, sostuvo De Castro. Además, ese país no tiene industrias suficientes para atender su demanda interna, aunque busque reducir su déficit comercial con Brasil, y tiene más dificultades en recuperar crédito, por sus deterioradas relaciones con el sector financiero internacional y porque Venezuela, importante financiador de Argentina, enfrenta dificultades por la baja de los precios petroleros, acotó. Argentina se convirtió en uno de los principales mercados para las ventas brasileñas después de la creación, en 1991, del Mercado Común del Sur (Mercosur, que comprende también a Paraguay y Uruguay), pero sus relaciones comerciales sufrieron frecuentes conflictos y quejas de ambas partes. Brasil podrá quejarse en la Organización Mundial de Comercio por las barreras argentinas, como los precios indicativos y las licencias que retardan las importaciones, anunció Barral. Pero la crisis económica mundial está forzando a Brasilia a adoptar posiciones más conciliadoras y políticas. Por ejemplo, ofrecer condiciones como créditos, para la recuperación de los vecinos sudamericanos, que son los grandes importadores de bienes industrializados brasileños. Además, hay preocupación por asegurar estabilidad política a sus gobiernos. Argentina, cuyo producto interno bruto creció cerca de ocho por ciento al año desde 2003, vive ahora un riesgo mayor que el brasileño de entrar en recesión, lo que afecta la popularidad del gobierno. El aumento del desempleo, también en Brasil, representa una amenaza política más seria, pues abre la posibilidad de turbulencias sociales y de agravamiento de la crisis económica. El presidente de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ha dicho que su país fue el último en resultar contaminado por la crisis y será el primero en salir de ella. Pero entre economistas y dirigentes empresariales, como De Castro, la incertidumbre persiste. La debilidad del comercio exterior sugiere cautela. (FIN/2009)
Se redujeron sobre todo las importaciones de materias primas y bienes intermedios en sectores cuya producción depende de componentes extranjeros, tanto para el mercado interno como para las exportaciones, observó José Augusto de Castro, vicepresidente de la Asociación Brasileña de Comercio Exterior. Su inquietud ante "la velocidad de la caída de las importaciones" es inusual en un dirigente que siempre se preocupó en ampliar las exportaciones y refleja el temor a la recesión en la economía brasileña, si bien De Castro aún no la considera inevitable, porque depende de actitudes del gobierno y de un mundo "sin rumbo definido". De hecho, las exportaciones brasileñas de febrero fueron 25 por ciento menores que las de febrero del año pasado. El superávit de comercial de 1.767 millones de dólares se debió a una caída mayor de las importaciones, de 34,5 por ciento, respecto del mismo período. Esa tendencia se debe en parte a la depreciación de la moneda nacional frente al dólar desde agosto, pero especialmente a la "caída del nivel de actividad del mercado interno", dijo De Castro a IPS. La crisis financiera mundial golpeó a este país sudamericano a partir de octubre, primero por una brusca escasez de crédito y luego por el impacto en las exportaciones. Cayeron los precios de las materias primas que Brasil exporta, pero no tanto el volumen, si bien algunos sectores industriales, como la metalurgia, sufrieron a la vez baja de precios y de cantidades vendidas. En el período enero-febrero el flujo comercial brasileño, sumando exportaciones e importaciones, fue de 37.497 millones de dólares, casi 22 por ciento menor al primer bimestre del año pasado. Solo Asia aumentó sus importaciones desde Brasil en el último bimestre, gracias a China, que importó 23,3 por ciento más que en enero-febrero de 2008. Asia se convirtió en el mercado más importante para Brasil, y su dinamismo se mantendría, espera el secretario de Comercio Exterior del Ministerio de Desarrollo, Welber Barral. Pero esa tendencia asiática a sostener las exportaciones brasileñas puede cambiar en los próximos meses, teme De Castro, pues depende de los precios de bienes agrícolas y minerales, que Brasil vende en gran cantidad a China. En la otra punta, las exportaciones brasileñas a Estados Unidos y Argentina fueron las que más cayeron, 38 y 46,5 por ciento respectivamente, en el primer bimestre. Brasil registraría este año su primer déficit comercial con Estados Unidos en 10 años, prevé De Castro. Con Argentina resurgieron con fuerza las disputas comerciales, ante medidas proteccionistas adoptadas por Buenos Aires. Brasil piensa financiar las exportaciones que se dirijan a ese país, como a otros vecinos en dificultades financieras. Otra idea es fijar cuotas para electrodomésticos, textiles y calzados, de forma de evitar nuevas acciones argentinas. No sirve de nada presionar por un comercio sin trabas, porque Argentina "no tiene alternativas", en un momento de pesadas pérdidas en las cosechas de sus principales productos agrícolas, soja y trigo, agravadas por la caída de precios internacionales, sostuvo De Castro. Además, ese país no tiene industrias suficientes para atender su demanda interna, aunque busque reducir su déficit comercial con Brasil, y tiene más dificultades en recuperar crédito, por sus deterioradas relaciones con el sector financiero internacional y porque Venezuela, importante financiador de Argentina, enfrenta dificultades por la baja de los precios petroleros, acotó. Argentina se convirtió en uno de los principales mercados para las ventas brasileñas después de la creación, en 1991, del Mercado Común del Sur (Mercosur, que comprende también a Paraguay y Uruguay), pero sus relaciones comerciales sufrieron frecuentes conflictos y quejas de ambas partes. Brasil podrá quejarse en la Organización Mundial de Comercio por las barreras argentinas, como los precios indicativos y las licencias que retardan las importaciones, anunció Barral. Pero la crisis económica mundial está forzando a Brasilia a adoptar posiciones más conciliadoras y políticas. Por ejemplo, ofrecer condiciones como créditos, para la recuperación de los vecinos sudamericanos, que son los grandes importadores de bienes industrializados brasileños. Además, hay preocupación por asegurar estabilidad política a sus gobiernos. Argentina, cuyo producto interno bruto creció cerca de ocho por ciento al año desde 2003, vive ahora un riesgo mayor que el brasileño de entrar en recesión, lo que afecta la popularidad del gobierno. El aumento del desempleo, también en Brasil, representa una amenaza política más seria, pues abre la posibilidad de turbulencias sociales y de agravamiento de la crisis económica. El presidente de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ha dicho que su país fue el último en resultar contaminado por la crisis y será el primero en salir de ella. Pero entre economistas y dirigentes empresariales, como De Castro, la incertidumbre persiste. La debilidad del comercio exterior sugiere cautela. (FIN/2009)
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